Cachoeira do Brother, em Vargem Alta – linda natureza e ações humanas em conflito

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Visitamos a Cachoeira do Brother, em Vargem Alta, e tivemos uma aula prática de como o ser humano pode interagir com a natureza de maneira positiva e de maneira negativa.

Convido você para ler esse texto e conscientizar-se do quão destrutiva a nossa sociedade é – você irá entender mais para abaixo o porquê.

Infelizmente, é com parágrafos assim que temos que começar a divulgação desse belo destino que a natureza nos proporcionou, e que vale a visita! Vamos cortar agora para um clima mais alegre para apresentarmos para você a Cachoeira do Brother.

Eduardo Ortiz, o Brother, é um paulista que resolveu adotar Vargem Alta para morar, e lá adquiriu um sítio com uma cachoeira em seu quintal. E, apesar da propriedade ser particular, ele abre o espaço para receber visitantes que queiram conhecer e tomar banho em suas águas.

A família Ortiz é bem ligada à natureza, pois o Brother é irmão do naturalista Marco Ortiz, proprietário do famoso restaurante vegetariano Sol da Terra, que ficava no Centro de Vitória, mas que mudou para o Hortomercado após o desabamento do empreendimento devido a um deslizamento de terra.

Vamos então à apresentação de como chegar e da própria cachoeira, mas não deixe de ler mais abaixo sobre os serviços e produtos de agroturismo oferecidos no local, fora as fotos da destruição do ambiente feita pelo ser humano.

Como chegar na Cachoeira do Brother

A Cachoeira do Brother está a aproximadamente 110 Km de distância de Vitória, o que leva algo em torno de 2:20 h de estrada, indo pela BR-262, a depender do trânsito.

Para uma referência mais próxima, ela está a 30 minutos (24 Km) do Parque Estadual da Pedra Azul, seguindo pela Rota do Lagarto.

O Google Maps localiza precisamente o destino, então para chegar lá basta procurar por “Cachoeira do Brother” no app de seu celular e seguir o trajeto.

Conhecendo a Cachoeira do Brother

Ao chegar no terreno, procure pelo Brother ou por sua esposa Denise para que eles possam acompanhá-los ou orientá-los em como chegar até a cachoeira e em como utilizar o espaço de maneira segura. Como a queda é relativamente alta, a água cai bem forte, e, a depender da profundidade do momento, há risco de afogamento.

O caminho é bem fácil, passando por uma estrada que leva direto até a Cachoeira do Brother.

A profundidade do poço varia bastante, de acordo com as chuvas do período, podendo variar de “dá pé” até “bem fundo”. Quando fomos em julho de 2016, consegui ficar em pé embaixo das águas, cujas gotas caem bem pesadas sobre nós, mas já fui também em um momento em que o poço estava fundo – e quase me afoguei com a queda d’água me empurrando para baixo. :oO

É possível também praticar rapel nas paredes da cachoeira, então, se você tem o material e a experiência, converse com o Brother e combine uma descida.

Do poço para frente, as águas correm em uma bela paisagem pelas rochas, cercadas de árvores bem altas. Seguindo essas rochas, mais abaixo há um outro poço de águas mais calmas, onde é possível deitar nas rochas e curtir o laguinho.

E o curso do rio segue pelas pedras, mas para a gente chegar até mais à frente é necessário cortar caminho pela mata, onde não existe uma trilha bem definida. Então não aconselho seguir por essa parte. Aliás, dê uma olhada mais abaixo para saber o que você encontra pelo caminho dentro dessa parte da mata.

O agroturismo na Cachoeira do Brother – cama, café e mel

O Brother também oferece em seu terreno espaços para quem busca um lugar para acampar na natureza, mas em um terreno fechado e seguro.

Se você procura por uma hospedagem mais cômoda, aproveite o serviço de cama e café que eles possuem dentro da casa. O lugar é bem bonito e bem cuidado, com muitas orquídeas no jardim e com camas de casal para você dormir.

E que tal curtir uma bela lareira na sala? Fomos no inverno e pegamos temperatura de 10°C. Ficar ao lado da lareira nesse lugar e temperatura tornou aquele momento uma experiência bem prazerosa. 🙌🏽

Ele não tinha um preço fixo na época que eu fui para os serviços ofertados, então os valores e as reservas devem ser conversados diretamente com ele no telefone (28) 3528-4114.

Além de hospedagem, também são vendidos por lá mel e café, ambos produzidos no próprio terreno.

O lixo humano e a destruição do ambiente

Não sei se você reparou em algumas das fotos que mostram as águas da cachoeira, mas apareceram uns corpos estranhos nas imagens. Repare por outro ângulo:

Sim, lixo. Demais, né? Dá uma olhada nesses aqui então:

A cachoeira está a 10 Km da nascente do rio, e olha a quantidade de lixo que o Brother conseguiu juntar ou foram acumulados pela correnteza em uma distância tão curta!

Enquanto eu andava nas águas, retirei garrafas de vidro (!!), lata de óleo, capacete, camisa do Real Madrid (!!!), bola de futebol e muitos, muitos, muitos outros materiais.

Acha que tudo fica acumulado em volta da cachoeira? Não, descendo o rio, vemos mais garrafas pet e outros tipos de resíduos de consumo humano espalhados pelas pedras. E quando entramos em uma trilha na mata, olha sobre o que pisamos:

Todo esse lixo vem de comunidades imediatamente anteriores à queda d’água, da própria Vargem Alta. Por falta de saneamento básico e de educação (no sentido de ensino e no sentido de cultura), os moradores jogam os restos dos produtos consumidos diretamente no rio.

O Brother já conversou com políticos e com o Ministério Público, já se candidatou a vereador do município para tentar atuar mais diretamente, já tratou desse assunto com muita gente, mas nada até agora surtiu efeito. Ele irá tentar agora atuar trazendo escolas para visitar a cachoeira e ir conscientizando a juventude da sociedade local do impacto destrutivo que somos capazes de proporcionar à natureza.

É triste ver isso acontecendo e não conseguir mudar essa situação. Se alguém tiver alguma forma de atuar mais diretamente nessa questão, entre em contato com ele ou com as pessoas devidas para tentarmos mudar algo.

E o problema não se restringe somente à Cachoeira do Brother. Esse rio irá se juntar ao Rio Itapemirim, levando com ele todo o lixo para as comunidades que estejam no caminho dessa poluição.

Nós sabemos que esse não é um “previlégio” somente dessa região. Essas cenas se repetem no Brasil todo, e cabe a mim, cabe a você, a todos nós, individualmente ou através de alguma organização, buscar uma maneira de atuar para evitar que isso aconteça, podendo ser ligando o esgoto da sua casa em uma rede coletora oficial, reciclando o lixo produzido ou atuando politicamente para achar uma solução pontual ou regional.

Mãos à obra!