Parque Estadual do Ibitipoca – muito além da Janela do Céu

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Mais uma das maravilhas que temos no Brasil, o Parque Estadual do Ibitipoca faz parte da Serra da Mantiqueira e está localizado no município de Lima Duarte, em Minas Gerais.

A atração mais famosa do parque é a vista da Janela do Céu, o topo de uma cachoeira de onde podemos admirar um visual incrível da região.

Visitando o local, descobrimos que a Janela do Céu é bela sim, mas é mais uma das muitas belezas que encontramos ao longo das trilhas de Ibitipoca.

Confira neste post as três principais trilhas existentes no parque, no estilo Blog Destinões de relatar: um mapa detalhando todas as atrações, muitas dicas da região, fotos das trilhas e opções mais radicais para sair da visitação básica, com caminhadas por dentro de dois rios.

E não deixe de ler no final do texto as indicações de lugares para comer e curtir a noite em Conceição do Ibitipoca.

Para facilitar a localização dos principais pontos destacados neste post, deixamos abaixo um índice para acessar diretamente alguma informação desejada.

Como chegar em Ibitipoca

Estávamos em um grupo de 11 pessoas e optamos por reservar um microônibus de 24 lugares, com banheiro, para irmos até Ibitipoca. Assim, saímos de Vitória às 20:30 h e chegamos na nossa pousada em Conceição do Ibitipoca, a vila mais próxima do parque, por volta das 7:30 h – sim, 11 h de estrada, mas como fomos à noite, não perdemos tempo viajando durante o dia.

Acredite: mesmo dividindo o custo com menos da metade da capacidade do ônibus, o custo-benefício foi muito melhor em relação a ir de ônibus convencional!

Para ir de ônibus usando uma viação, claro, dependendo de qual cidade esteja vindo, terá que ir até Juiz de Fora, depois trocar de ônibus para ir para Lima Duarte e então pegar outro ônibus para Conceição do Ibitipoca. O custo fica similar ao que pagamos, mas não perdemos preciosas horas esperando e trocando de ônibus.

Locamos o ônibus com a empresa Rogério Transportes, da Serra (ES). O contato é o (27) 9-9979-8135 e (27) 3337-8075.

No mais, pode-se chegar até lá indo com o próprio carro e verificar o trajeto usando o seu GPS preferido.

O detalhe é que a estrada é asfaltada até Lima Duarte, mas ao cruzar o rio e pegar o caminho para Conceição do Ibitipoca, começa uma estrada de terra, bem ruim, com muitos buracos e ladeiras, mas mesmo um carro popular consegue chegar.

Mas independentemente de como vai chegar até Ibitipoca, eu sugiro deixar o veículo em Conceição do Ibitipoca e ir e voltar do parque de van, pelo valor de míseros R$ 5 por trajeto. São só 3 Km do ponto da van até a entrada do parque, e ir de ônibus até lá é um pouco complicado, pois a estrada é estreita e o único ponto de retorno é na portaria do parque. Caso vá de carro, o estacionamento lá dentro é cobrado, e muita gente acaba estacionando na beira da estrada, tendo que caminhar até a portaria. Assim, tem-se menos dor de cabeça e preocupação indo de transporte público.

Onde se hospedar em Ibitipoca

Ao visitar o parque, vocês podem escolher ficar em uma das muitas, mas muitas pousadas e campings que tem na região. Como disse, a vila Conceição do Ibitipoca é a área urbana mais próxima do parque, então é lá que se encontra a maior parte das hospedagens.

O site oficial do parque lista diversas pousadas, casas e campings para se hospedar.

Mas não tem como não indicar o local que nos acolheu: a Pousada do Sossego! Mantida pelo casal Ana e Celso, a pousada conta com oito quartos, wifi, espaço para churrasco, sauna seca e um ótimo café da manhã.

Eles nos receberam muito bem e estavam sempre disponíveis para conversar e dar dicas da região.

Para entrar em contato com eles, envie mensagens via WhatsApp para o número (11) 9-7576-3026.

Sem mais delongas, vamos às atrações do parque!

O Parque Estadual do Ibitipoca

O parque apresenta três principais roteiros: Janela do Céu, Pico do Pião e Circuito das Águas. Cada um desses circuitos apresenta atrações e dificuldades únicas, e iremos apresentar todas elas ao longo do texto.

Um dos fatores mais importante que se deve levar em conta ao visitar Ibitipoca é o horário de chegada. O parque tem uma lotação máxima de 1200 pessoas. Em finais de semana e feriados, esse limite costuma chegar bem cedo, por muitas vezes entre 7:30 h e 8:00 h. Então, se não quiser perder um dia de passeio, chegue cedo!

Fomos no feriado de Corpus Christi, em maio de 2016, e tivemos a sorte de conseguirmos entrar apesar de termos chegado tarde. Na quinta-feira, a lotação se deu pouco depois das 11 h. Nos demais dias também foi por volta desse horário.

Outro fator importante para se observado é ir nos períodos quando acontece menos chuva, que é entre abril e outubro.

O mapa a seguir mostra o caminho de todos os roteiros, bem como a localização de cada atração. Continue lendo para conhecer detalhes de cada uma delas. Veja também no mapa os pontos de interesse de Conceição do Ibitipoca, que serão apresentados no final do post.

Todos os roteiros são muito bem sinalizados, com placas e indicativo de distâncias ao longo dos caminhos. Assim, não é necessário contratar guias para curtir o parque.

No Centro de Visitantes, pode-se comprar lembranças e objetos de qualidade a um preço que eu achei razoável, e pode-se também tirar mais dúvidas com os funcionários do parque. Pessoalmente, eu achei o conhecimento deles bem fraco, talvez por alguns serem voluntários sem muita experiência no local. O mapa que eles dão também é bem simples, com poucas informações. Vai por mim, estude bastante antes de ir, e este texto é uma fonte bem completa de informações.

A entrada em finais de semana e feriados custa R$ 20, e em dias úteis é R$ 10. Confira no site do parque possíveis atualizações desses valores.

Além dos itens básicos a se levar para trilhas, como comida, água, boné, protetor solar, etc., leve também roupa de banho e lanterna. A água é gelada sim, mas eu sugiro aproveitar a oportunidade e conhecer do lado de dentro as cachoeiras e os rios!

Já a lanterna é para explorar melhor as diversas cavernas do parque. Em algumas nós entramos diversos metros em escuridão total, e a lanterna foi essencial para nos guiarmos.

O parque possui um único restaurante, e lá é também o único local onde é permitido acampar e onde se encontra banheiros. As torneiras do lado de fora do banheiro possuem filtros de água para encher as garrafinhas.

E sem mais delongas novamente, vamos conhecer cada um dos três roteiros e suas atrações!

O roteiro Circuito das Águas do Parque Estadual do Ibitipoca

O Circuito das águas é o roteiro do parque mais curto e mais fácil de se percorrer, mas nem por isso o menos belo.

Ele inicia-se logo após o Centro de Visitantes. Seguindo o caminho em direção ao restaurante, haverá uma placa à direita indicando a Gruta dos Coelhos. Essa é a primeira caverna das muitas que se verá pelo parque. Então, saquem suas lanternas e comecem a explorá-la! Nós passamos por um dos buracos apertados da gruta, arrastando as mochilas nas rochas, e mais à frente vimos a luz do dia. Saímos por essa abertura e quando vimos estávamos em uma saída uns 50 m antes da entrada oficial da caverna. Então a sugestão é: explore as grutas e divirtam-se!

Continuamos a trilha e logo em seguida pegamos a direita, para chegar no restaurante. Desse ponto é possível seguir para os dois extremos do Circuito das Águas, que são a Cachoeira dos Macacos e o Lago dos Espelhos.

Vamos começar indo para a Cachoeira dos Macacos, pegando a descida à direita e novamente à direita, em direção ao sentido do fluxo do Rio do Salto.

Logo de cara nos deparamos com um paredão enorme na outra margem do rio – esse é o Paredão de Santo Antônio. Para entender o motivo do nome, tem que usar a imaginação: dizem que a imagem desse santo está marcada na rocha, ao lado de outras duas imagens de santas que eu não me lembro quais são, mas na minha opinião é só imaginar qual vocês querem ver. Eita criatividade…

O Paredão de Santo Antônio segue margeando o rio até mais à frente. No alto dele vimos pessoas passando e mirantes – vamos passar por esse caminho no trajeto de volta.

Pouco mais abaixo, a Gruta dos Gnomos, uma caverna curta, e logo depois o Lago das Miragens. Se quiser aproveitar para tomar o primeiro banho – e descobrir o que é uma água de doer os ossos -, esse é o lugar!

Continuando o caminho, nos deparamos com uma formação rochosa com uma cavidade muito alta: a Ponte de Pedra. De tamanho imponente, é um belo lugar para se admirar e para tirar várias fotos. É possível entrar dentro dessa cavidade, mas não atravessá-la, pois o acesso não é permitido.

Voltamos para a trilha e paramos em um mirante sobre a Ponte de Pedra, de onde pudemos observar bem do alto a região rio abaixo.

Continuando a trilha, chegamos na Cachoeira dos Macacos. Paramos por ali nas rochas para almoçar, e de lá do alto vimos a Pedra Quadrada, uma rocha com um formato de cubo bem interessante.

A Cachoeira dos Macacos tem um lago grande e nos arrependemos depois de não termos entrado. Então, aproveitem e dêem aquele tchibum! (Sim, a água continua gelada de trincar os dentes.)

Voltamos para a trilha em direção à Ponte de Pedra, mas dessa vez seguimos pela outra margem, passando no alto do Paredão de Santo Antônio e pelos vários mirantes do caminho. A visão da “ponte” lá de cima também impressiona.

Adiante, chegando quase no fim do paredão, uma descida por uma escada, que parece estar sendo engolida pelas árvores, leva até a Prainha, mas não descemos ali, e falaremos dela mais para frente.

Adiante novamente, uma encruzilhada: pela direita, o Circuito do Pião, mas não fomos por essa direção também; pela esquerda, continuamos no Circuito das Águas, virando à direita logo em seguida, rumo ao Lago dos Espelhos.

A trilha afasta-se um pouco do Rio do Salto, mas com uma entrada para ir até o Lago Negro, um lago cujo nome já diz tudo – ele é bem negro -, e junta-se novamente ao rio depois na Ducha, uma pequena queda d’água bem bonita.

E, finalmente, o caminho nos leva até o Lago dos Espelhos. O lago tem uma praia bem ampla, uma ótima área para nadar e uma cachoeira no fundo que dá para tomar um banho dela – se conseguir se manter dentro da água. Dá para chegar até ela molhando só os pés caso vá pelas pedras na lateral direita do lago.

Voltando todo o caminho, chegamos finalmente na Prainha, uma área com areias brancas e bem rasa, com uma passarela em madeira para cruzar o Rio do Salto.

Para finalizar o Circuito das Águas, falta somente a Prainha das Elfas, e é de lá que começaremos a parte mais emocionante desse roteiro: vamos seguir até a Ducha novamente, mas por dentro do rio!

Subindo até o restaurante e indo para trás dele, vê-se a placa para a Praia das Elfas. Lá, amarramos as nossas botas e tênis nas mochilas utilizando os próprios cadarços dos calçados, subimos as pernas das calças e seguimos pelas águas do Rio do Salto, pelo fluxo contrário à correnteza.

Atenção: esse caminho é muito perigoso! Há risco de se molhar, molhar a mochila, câmera, celular, documentos, ou qualquer outra coisa que esteja carregando se escorregar e cair dentro da água. Fora é claro o risco de se machucar. Portanto, vá somente se já estiver acostumado a andar em pedras molhadas e escorregadias e junto com outras pessoas. Combinado? Então vamos ao nosso relato.

Em quase todo o percurso, é necessário observar bem onde está pisando. Fomos com o pé na água, atravessando de margem a margem buscando sempre as pedras que nos mantivessem com a água no máximo até as canelas.

A paisagem é linda, e fomos ao mesmo tempo admirando e desconfiando do caminho, nos mantendo atentos para evitar algum escorregão. Éramos três casais, e um ajudava o outro indicando onde pisar e auxiliando nas travessias mais arriscadas.

Chegando no Lago Negro, como não queríamos nos jogar na água, subimos a escada que dá acesso ao lago, mas descemos imediatamente em seguida, voltando para as águas do rio.

Atingimos mais adiante o fim do nosso percurso na Ducha. No total, foram apenas 300 m de caminhada pelo Rio do Salto, mas levamos 50 minutos para concluir.

Ficamos admirando a queda d’água – só tem essa visão quem está lá embaixo – e então voltamos para o caminho padrão escalando as pedras.

Dali para frente, até pensamos em seguir pelo rio até o Lago dos Espelhos, mas a água já batia quase na cintura, então preferimos parar por ali mesmo.

Uma alternativa então para esse trecho do Circuito das Águas é fazer como fizemos: ir até a Ducha por dentro do rio, seguir pela trilha até o Lago dos Espelhos e voltar tudo somente pela trilha. Ou ir pela trilha e voltar pelo rio. Ou como acharem melhor e mais seguro para vocês.

Para dar uma noção de tempo e distância para percorrer o Circuito das Águas, foram uns 4,5 Km caminhando desde a portaria do parque até a Cachoeira dos Macacos, e levamos 2:30 h para executar esse trajeto, considerando a parada no Centro de Visitantes e as paradas para curtir todas as atrações do caminho. Da cachoeira até voltar para a Prainha, mais uns 40 minutos. E seguindo pela trilha padrão, da Prainha até o Lago dos Espelhos foram apenas 700 m.

Resumo das atrações do roteiro Circuito das Águas:

  • Gruta dos Coelhos
  • Paredão de Santo Antônio
  • Gruta dos Gnomos
  • Lago das Miragens
  • Ponte de Pedra
  • Cachoeira dos Macacos
  • Cachoeira da Pedra Quadrada
  • Lago Negro
  • Ducha
  • Lago dos Espelhos
  • Prainha
  • Prainha das Elfas
  • Caminhada dentro do Rio do Salto

O roteiro Janela do Céu do Parque Estadual do Ibitipoca

A Janela do Céu é a principal atração do parque, e a última etapa deste circuito, mas, como já viram no Circuito das Águas e continuarão vendo nos próximos parágrafos e fotos, o Parque Estadual do Ibitipoca é muito mais do que somente a Janela do Céu.

O circuito inicia-se antes mesmo de chegar no Centro de Visitantes, em um caminho à esquerda 400 m depois da portaria do parque.

O caminho é inclinado, mas eu não achei tão ruim – a minha expectativa era que fosse mais para uma escalaminhada, mas não foi assim. Como a inclinação é constante, deu para seguir em um ritmo bom de caminhada, sem muitas alternâncias de velocidade.

A primeira atração é o Cruzeiro, uma área plana com uma cruz e uma ótima visão de toda a região.

Logo depois, à direita, está a Gruta da Cruz. Descemos pela mata mais fechada e entramos na gruta escondida entre as árvores. Lanterna na mão, fomos subindo as escadas que existem dentro dela até ver a luz do dia em uma outra abertura, seguindo reto ao sair para voltarmos à trilha. Uma gruta curta e simples de se atravessar – bom para quem não quer se aventurar tanto.

Com 2 h de passeio, chegamos no ponto mais alto da região, o Pico da Lombada, situado a 1.784 m de altitude. Na ida, as nuvens estavam tampando a vista, então não deu para ver a paisagem, mas na volta conseguimos admirar todo o horizonte. Nesse local está instalada uma torre com antenas.

Após a Lombada, três grutas bem próximas e bem interessantes. Novamente, preparem suas lanternas.

A primeira é a Gruta dos Fugitivos, uma caverna bem ampla e dá para atravessá-la com facilidade. Na outra ponta da gruta há uma trilha pela mata que leva até a Gruta dos Três Arcos, que é bem curta e onde três grandes aberturas iluminam todo interior da cavidade em um terreno bem inclinado. Indo para baixo e pela esquerda, há ainda outra caverna, essa bem baixa e isolada.

Voltando todo o caminho e seguindo as placas, fomos para a Gruta dos Moreiras, um complexo de cavernas maior e mais interessante que os outros. Exploramos ela bem, indo pelas passagens estreitas. Fizemos um pouco além saindo por um local que dá no meio do mato e com uma trilha bem rudimentar, que acabou no meio do caminho, mas fomos pela mata seguindo a voz das demais pessoas até chegar novamente na entrada principal.

Rumamos para a Janela do Céu, mas paramos antes na Cachoeirinha, e ir para lá antes que a atração mais famosa foi fundamental para a nossa satisfação com o passeio – vocês irão entender mais adiante. Para registro, foram 4 h de caminhada até o momento.

Chega-se primeiro no alto da Cachoeirinha, de onde se tem uma bela vista do paredão e da praia da cachoeira lá embaixo. Hora de tirar muitas fotos – e de ter cuidado, pois a queda é grande.

Pegamos uma trilha à direita e descemos até o lago. A Cachoeirinha chega lá embaixo com a água bem fraca, mas ainda assim com aquele gelo padrão que faz defunto levantar e pedir para sair.

E agora é a hora em que eu falo que voltamos para o caminho principal em direção à Janela do Céu, blablabla – #sqn. Bom, praticamente todo mundo volta sim em direção à atração principal, mas nós fizemos diferente.

Que tal chegar na Janela do Céu indo por dentro do Rio Vermelho, caminhando através de um cânion?

E vamos de novo ao mesmo disclaimer feito no Circuito das Águas. ATENÇÃO! Não aconselhamos fazer essa trilha, muito menos sozinho, pois há um grande risco de queda, de se machucar, de molhar os seus pertences, de escorregar e bater a cabeça, etc. Só vá se estiver acostumado a andar em pedras molhadas. Estamos de acordo?

Bora lá então! Fizemos o trajeto com todos os 11 do grupo. Botas e tênis amarrados na mochila, pés na água, lá vamos nós em direção ao cânion entre a Cachoeirinha e a Janela do Céu.

Nos encantamos logo de cara com a beleza. Não fazendo o trajeto todo, já vale só dar uma olhadinha nessa parte inicial do percurso.

Caminhando dentro da água, que batia no máximo até a canela no começo, nos deparamos com o primeiro desafio: uma queda de uns 3 m que tínhamos que descer. Com calma, fomos passando as mochilas e depois ajudando cada um a passar.

Mais adiante, após caminhos estreitos e outras quedas d’água, o segundo desafio: um lago cuja água batia acima da cintura. Quem estava sem roupa de banho teve que se trocar ali na hora, ficar de cueca, ou algo que o valha. Colocamos as mochilas nos ombros e fomos transportando para a outra margem.

Uma parada para reparar o local. Estávamos dentro de um cânion, isolados, com uma bela vegetação e com lindas pequenas cachoeiras. Era um momento único da viagem.

Caminhamos mais, com muito mais cuidado pois as pedras estavam molhadas. Encontramos adiante outra descida, e novamente foi necessário ajudar os outros.

Finalmente, após a curva adiante, a reta final. Fugimos a princípio da água subindo o morro de terra pela esquerda, mas nos deparamos em seguida com algo que não esperávamos: a última etapa, o último desafio, envolvia entrar na água funda – e gélida de rachar a raiz dos dentes -, sem possibilidade de botar mochilas no ombro para atravessar.

Depois de muita matutação e raciocínio, resolvemos colocar algumas pessoas se segurando nas pedras laterais e ir fazendo um trabalho de formiguinha, com um passando os pertences para o outro até o outro lado.

Por isso, analisem bem antes de irem por esse caminho, considerem levar uma bolsa estanque para seus pertences, saco de lixo, ou algo assim, para não passar por aperto na etapa final. E se alguém tiver alguma dica, por favor, a área de comentários está lá te esperando! =)

E, após quase 1 Km de trilha alternativa – que levamos aproximadamente 1:30 h para fazer, pois o grupo era grande -, quando chegamos felizes e serelepes na área da Janela do Céu, nos deparamos com isso:

Sim, fila. O que mais esperar? 1.200 pessoas no parque, algumas dezenas estariam tentando tirar foto na principal atração.

Aí percebemos outra enorme vantagem de termos pego esse caminho alternativo por dentro do rio: pegamos a fila alternativa e menor, já partindo do poço da Janela do Céu, já que a outra – a principal – tinha gente lááá em cima aguardando.

E ao perguntarmos há quanto tempo as pessoas estavam lá esperando, ouvimos 1:30 h, 2 h… para tirar uma foto – e rápido! Porque se cada um demorasse… Bom, cada um demorava e por isso a fila também demorava a andar. E quem estava na fila ficava gritando para os demais irem mais rápido.

Essa é para tirar a tranquilidade e a paz de qualquer um – fila no paraíso. Enfim, um momento de paciência e de se tocar que você também faz parte da fila, então agilize mesmo as fotos para não prejudicar os demais visitantes.

Então, se for em feriado ou fim de semana, ou pegue o caminho alternativo, ou vá preparado para esperar.

Mas após aguardar na fila, foto rápida dos 11, haja ajuste na câmera para tentar não deixar as pessoas escurecidas na foto contra a luz, e é isso. Subimos e fomos almoçar bem ao lado da Janela do Céu, de onde também se tem a mesma vista e sem precisar esperar.

Iniciamos o passeio na portaria do parque às 8 h e com paradas, visitas às grutas, trilhas e filas, fomos tirar as fotos por volta das 15 h. Fizemos uns 40 minutos de parada para almoço e voltamos pelo mesmo caminho que viemos, chegando na portaria quase às 18 h.

A distância percorrida é um pouco complicada de especificar, pois passamos por trajetos diferentes e andamos dentro das grutas, mas só para dar uma noção, o caminho de volta, direto da Janela do Céu até a portaria, foi de aproximadamente 7 Km.

Resumo das atrações do roteiro Janela do Céu:

  • Cruzeiro
  • Gruta da Cruz
  • Pico da Lombada
  • Gruta dos Fugitivos
  • Gruta dos Três Arcos
  • Gruta dos Moreiras
  • Cachoeirinha
  • Cânion entre a Cachoeirinha e a Janela do Céu
  • Janela do Céu

O roteiro Pico do Pião do Parque Estadual do Ibitipoca

Vamos então apresentar o último roteiro do parque. O circuito do Pico do Pião começa próximo à Prainha. De lá, cruzamos a pontezinha sobre o Rio do Salto e seguimos as placas rumo ao pico.

O caminho todo varia entre subidas e descidas, algumas mais acentuadas, outras menos, o que fez todos nós nos cansarmos bastante.

Em uns 25 min de caminhada, pegamos uma entrada à esquerda e descemos as escadas para conhecer a Gruta e a Queda do Monjolinho. A gruta me pareceu somente uma pequena abertura e nem demos muita bola. Já a Queda na verdade é um pequeno lago dentro da mata, com uma caverna do fundo de onde se ouve a água caindo em uma pequena cachoeira, mas não é possível ver essa queda. Um lugar bem agradável para se curtir em silêncio, ouvindo somente o barulho da natureza.

De volta à trilha, uma longa caminhada, com bastante subida, nos levou até a Gruta do Pião. Essa eu achei uma das melhores do parque! Lanterna na mão, fomos explorá-la, e caminhamos, caminhamos, caminhamos rocha adentro. Uma formação incrível e encantadora pelo isolamento que ela proporciona. Ficamos até desligando as lanternas para curtirmos o escuro e a paz da solitude – que profundo.

Continuamos subindo o morro até chegarmos no pé da escadaria final, que dá finalmente no Pico do Pião. Subimos exaustos e lá em cima apreciamos a vista de 180º do segundo ponto mais alto do parque – os outros 180º estavam encobertos pelas nuvens.

Ali mesmo no pico estão também as ruínas de uma capela, restando somente o piso e o altar.

Ah, só deu para entender o porquê do nome “Pião” olhando beeem de longe, lá do Circuito da Janela do Céu. Veja na foto abaixo a ponta de um pião de cabeça para baixo – pelo menos foi essa interpretação que eu fiz do motivo desse nome. Por mim, chamaria de Pico do Formigueiro, que seria mais fiel à aparência. 🙂

Descemos o pico e fomos para a última atração, a Gruta dos Viajantes. Descemos uma escada e entramos dentro da mata, um visual bem bonito. A gruta também é bastante bonita, com uma abertura bem alta.

Depois, encerramos as atividades e voltamos para a entrada do parque.

Levamos aproximadamente 2 h para percorrer os pouco mais de 4 Km de ida desse roteiro, desde a Prainha até o topo, incluindo claro as visitas às demais atrações. Para voltar, como não tivemos paradas para visitar nada, levamos 1:15 h.

Resumo das atrações do roteiro Pico do Pião:

  • Gruta do Monjolinho
  • Queda do Monjolinho
  • Gruta do Pião
  • Gruta dos Viajantes
  • Ruínas da Capela
  • Pico do Pião

Combinações de roteiros do Parque Estadual do Ibitipoca

Ok, já sabem o que tem em cada roteiro, mas como combinar isso tudo em um, dois ou três dias?

As combinações possíveis são várias, mas vamos tentar dar uma direção a se seguir, pois tudo irá depender do quanto cada um quer aproveitar em cada atração, do horário que se chega no parque e de quantos dias disponíveis se tem.

E de atrações não visitadas, ficaram para trás somente a Gruta das Bromélias, que estava fechada para visitantes, e a Lagoa Seca, que acabei não buscando informações sobre ela, nem dando tempo de passar por lá. Fora ainda o trecho de trilha que liga a Janela do Céu até o Pico do Pião, que também não deu tempo de ser feito, mas que acreditamos não ter perdido nenhuma grande atração nesses locais. Se alguém tiver informações sobre esses locais do parque, fique à vontade para compartilhá-las nos comentários. 🙂

Roteiro de três dias no Parque Estadual do Ibitipoca

Vamos considerar primeiro o cenário de três dias inteiros, que permite aproveitar todo o parque, além da vila Conceição do Ibitipoca – e foi justamente o nosso caso.

Primeiro, Conceição do Ibitipoca não é tão próximo assim de Vitória. Como viajamos a noite toda, dormindo mal, começamos pelo Circuito das Águas, que é o trajeto mais tranquilo de ser feito. Contudo, fizemos só uma parte dele, pois chegamos tarde no parque, por volta das 10 h – deixamos da Prainha das Elfas até o Lago dos Espelhos para o último dia. No resto do dia, resolvemos fazer o Pico do Pião. Chegamos mortos no final, mas deu para curtir bem.

No segundo dia, o roteiro da Janela do Céu. E uma coisa é certa se quiserem aproveitar tudo desse roteiro com tranquilidade: ele toma um dia inteiro – foi das 8 h às 18 h para percorrermos da portaria do parque até voltarmos nela! Mas, se for em um ritmo bom, tiver fôlego e seguir sem parar muito, pode sobrar tempo para conhecer algo mais nesse dia.

O terceiro dia ficou para o restante do Circuito das Águas, com direito à caminhada pelo rio que relatamos. E foi bem tranquilo, pois chegamos depois das 9 h – já que o parque não estava lotando – e às 12 h já estávamos voltando pra pousada.

Tivemos ainda toda a tarde do terceiro dia para caminhar, comer e beber pela vila, fora todas as noites que passamos por lá.

Roteiro de dois dias no Parque Estadual do Ibitipoca

Sem dúvidas, se só tivesse dois dias de visitação, eu retiraria o roteiro do Pico do Pião, dadas as belas atrações dos demais circuitos.

Assim, faria em um dia o Circuito das Águas e em outro a Janela do Céu, na ordem que achar melhor – lembrando que o primeiro é mais fácil de ser feito do que o segundo.

E ainda daria tempo de, no dia do Circuito das Águas, dar uma esticada até a Gruta e a Queda dos Monjolinhos, que estão a uns 25 minutos da Prainha.

Roteiro de um dia no Parque Estadual do Ibitipoca

Aí complica. Só um dia?? Agora é hora então de escolher entre a Janela do Céu e o Circuito das Águas.

Ou então optar por chegar cedo, por volta das 7 h, e fazer os dois roteiros bem corrido, ou pelo menos toda a Janela do Céu e parte do Circuito das Águas – e haja preparo físico.

As atrações da vila Conceição do Ibitipoca

A vila Conceição do Ibitipoca tem uma vida boêmia, noturna e gastronômica muito rica. Vamos falar um pouco do que tem para fazer por lá.

Mas primeiro, algumas informações básicas. Pelo menos até maio de 2016, a vila não possuía nenhum caixa eletrônico. Muitos estabelecimentos aceitam cartão, mas é bom levar dinheiro também, já que não são todos que tem a maquininha. Quanto à rede de celular, não há sinal da TIM e as operadoras usadas lá são Vivo e Claro – não peguei informações sobre a Oi.

Pousadas e restaurantes estão espalhados por todas as ruas. Destacamos no mapa mostrado lá no alto todos os locais que vamos citar aqui, então confira lá as localizações.

Um ponto de partida para comprar cervejas e chopes artesanais é próximo ao ponto das vans que levam ao parque. Por ali também se encontra artesanatos, doces, cachaças e várias outras opções de compra.

Os preços por lá são muito bons, com vários restaurantes mais simples, no estilo pague R$ 15 e coma o quanto quiser – podendo pegar somente uma carne. Um destaque para o Varandas, que eu gostei bastante.

Outro destaque vai para o Nhoq Tipoca, um restaurante de comida italiana, mas o prato principal é mesmo o nhoque. Muito bom mesmo!

Para comer e ouvir música, indicamos o Shopping Portal da Serra, basicamente uma praça de alimentação com um palco no centro, que toca músicas de ótima qualidade e com vários bares e restaurantes ao redor.

Por último, o Bar do Firma: um bar muito louco, com uma decoração muito louca, que toca música boa e onde as cachaças descem do teto, com umas coisas estranhas dentro. Sim, a descrição é muito louca mesmo e vocês têm que ir para ver e viver uma experiência única! Atenção pois o bar começa a ficar mais agitado depois da 0 h.

E finalizando, é possível fazer outros passeios fora do parque, como visitar a parte de baixo da Janela do Céu e fazer um rafting em um rio, tudo com guias locais que podem ser encontrados no próprio site do parque.

  • Julia Zamboni

    Olá! Tudo bem? A van que você citou, no valor de R$5,00, que faz o trajeto da vila ao parque, tem bastante disponibilidade de horários?

    • Olá Julia! Tem sim. Não tem horário fixo, eles só aguardam encher um pouco e ficam indo e voltando. Como o tempo de percurso é pequeno, você teria que aguardar pouco por uma próxima van (por exemplo, 10 minutos).