Mestre Álvaro – saiba como subir e conheça sua bela natureza

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Quem mora na Grande Vitória sabe: o monte Mestre Álvaro é tão imponente que é possível vê-lo de diversos pontos da região metropolitana. Mas você já foi conferir no local as belezas da Mata Atlântica que se encontra por lá? E as vistas? E que vistas!

Continue lendo esse artigo para saber como subir o Mestre Álvaro e para conhecer com detalhes as trilhas que nos levam até o topo do monte, com muitas fotos da natureza do local e das vistas das várias cidades ao redor. De quebra, descubra como chegar nas pedras Três Marias, de onde se tem também uma vista incrível.

Como subir o Mestre Álvaro?

O Mestre Álvaro fica localizado no município da Serra, ao norte de Vitória, e desde 1991 é considerado uma Área de Proteção Ambiental (APA Mestre Álvaro). Seu ponto mais alto está a aproximadamente 833 m de altitude.

Para chegar até o topo, existem quatro trilhas principais, cada uma com seus respectivos comprimento e dificuldade. São elas:

  • Serra Sede.
  • Pitanga.
  • Queimado.
  • Furnas.

O mapa a seguir detalha as posições do início das trilhas, com um rascunho do percurso de Furnas e de Queimado, só para dar uma noção do trajeto percorrido, longe de ter a pretenção de ser um guia para os mais aventureiros. Mostra também a localização do ponto mais alto do Mestre Álvaro e das pedras Três Marias.

Acompanhe mais adiante a descrição das trilhas de Serra Sede, Pitanga, Queimado e Furnas. Essas três últimas trilhas nós percorremos em 2016. Caminhamos pela da Serra Sede um ano antes.

O tempo para percorrê-las varia muito, dependendo do grupo que está fazendo, podendo ir de 2 h a 5 h. Em um grupo grande, há muita chance de ter alguém que possa não se sentir bem no dia, ou não estar tão preparado como imaginava, o que acaba fazendo com que a caminhada leve mais tempo. Em um grupo pequeno, com pessoas já acostumadas com as dificuldades envolvidas, o percurso pode ser feito mais rapidamente. O nível das trilhas é de moderado para difícil, novamente, a depender do preparo de cada um.

Só aconselho subir sempre em grupo, nunca sozinho ou com poucas pessoas, pois o risco de ser assaltado infelizmente existe.

No final do texto, deixo muitas imagens do topo do Mestre Álvaro, apresentando ainda o desafio final que é uma pequena escalada nas pedras para finalmente chegar no cume.

Ok, quero ir! Quem vai me levar?

Mas então, quer ir até lá, mas não sabe o que fazer?

A primeira opção é marcar com um guia da região. Nas três vezes que fomos, os guias Jhony Souza e Patrick Martins nos levaram. Os telefones de contato deles são o (27) 9-9734-0955 (Jhony) e o (27) 9-9810-2527 (Patrick).

Ligue logo e marque a subida com o seus amigos – que tal no próximo fim de semana? 😉 Mesmo que você esteja sozinho ou em poucas pessoas, tem também a possibilidade de se juntar com outro grupo já agendado.

Há ainda a opção de ir junto com um grupo de caminhada – e eles providenciam os guias. Nós subimos duas vezes com o Andarilhos Capixabas e uma vez com Os Canela. Acompanhe no Facebook ou no site do seu grupo preferido se há alguma programação de subida ao Mestre Álvaro – ou mesmo sugira essa caminhada.

E vamos conhecer as trilhas!

A trilha de Serra Sede, no Mestre Álvaro

A trilha de Serra Sede é a mais popular, e talvez a mais fácil, se é que dá para dizer que alguma delas é fácil.

O início é próximo ao Jardim Botânico da Serra, e nessa região será construído, com previsão de conclusão em 2016, a sede da APA Mestre Álvaro.

A trilha não é fechada e varia entre matas e campos abertos, com várias árvores altas e um animalzinho rastejante pelo caminho.

Mas o que eu acho incrível nessa trilha é a visão dos caminhos formados nas rochas. Só estando lá para ter essa noção.

Foram aproximadamente 3:30 h de subida. Esse passeio mostrado nas fotos aconteceu 1 ano atrás, antes do Blog Destinões existir, e por isso que não registrei o caminho com GPS e mais detalhes para passar para vocês.

A trilha de Queimado, no Mestre Álvaro

Essa trilha foi a mais longa que fizemos. Foram 5 h para percorrê-la e chegar até o topo – pouco mais de 7 Km!

Esse tempo inclui paradas para lanche, para aguardar os colegas e, claro, para apreciar a vista das Três Marias! Se não incluir a ida às Três Marias (não faça isso…), dá para reduzir em 1 h o trajeto.

O início dela é ao lado do Sítio Recanto Mestre Álvaro, localizado no Circuito Guaranhuns, um dos circuitos do agroturismo da Serra. Veja no mapa acima a localização precisa. Atenção para não se confundir, pois a comunidade de Queimado na verdade é um pouco mais à frente.

A área inicial é cheia de pastos, mas logo a trilha começa a ficar encoberta pela mata e passamos por alguns pontos de água corrente pelo caminho, ficando um ambiente bem agradável.

Após 1:30 h de caminhada, chegamos em um grande campo. Nesse ponto você pode escolher pegar a esquerda e seguir direto para o pico, ou continuar reto e ir conhecer as pedras Três Marias. Na boa? Vá lá conhecer! Em 30 minutos você já chega.

Do mirante das Três Marias, você consegue ver Vitória, a região rural de Serra e Cariacica, a casinha no alto do Mestre Álvaro e até, lááá longe, a Pedra Azul e o Parque Estadual do Forno Grande. E por que Três Marias? Veja logo abaixo.

Voltamos pelo mesmo caminho e retomamos o trajeto rumo ao topo, que levamos mais 2:30 h para chegar até lá. A mata nesse ponto já começa a ficar bem fechada, com a natureza nos encostando o tempo inteiro – vá de calça e blusa comprida, para evitar algumas marcas de percurso. 😉

E só mais para frente é que dá para visualizar o porquê daquele mirante se chamar Três Marias. Não dava para visualizar que havia essas três pedras gigantes agrupadas dessa maneira quando estávamos por lá. Mas de longe, temos esse visual abaixo.

O caminho continua agora por uma área mais rochosa, chegando em um caminho incrível beirando o precipício!

Chegamos então no alto de uma rocha e entramos em uma mata bem fechada, para 10 minutos depois estarmos no sopé do cocuruto do Mestre Álvaro.

Realmente, a trilha de Queimado é bem pesada e comprida, mas tem suas atrações que fazem valer o esforço! Recomendo!

A trilha de Furnas, no Mestre Álvaro

Eu considero a trilha de Furnas a mais bonita. Nela vemos vários cursos d’água, poços para banho e pedras e árvores enormes. Acompanhe mais abaixo as belas fotos do local!

O começo da trilha é próximo ao bairro Jardim Tropical, entrando pelo portão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Cesan, ao lado de Furnas – novamente, veja a posição exata no mapa lá em cima. Mas, para nós, o início se dá logo após sair do cume do Mestre Álvaro e pegar o caminho à esquerda, já que usamos essa trilha para descer nas três vezes que fomos, então narrarei do alto rumo à parte baixa.

De descida, são aproximadamente 4 h para percorrê-la até o portão da Cesan, em ritmo tranquilo. A distância percorrida foi também aproximadamente 7 Km, como a trilha de Queimado. A diferença é que nesta foram 4 Km caminhando em um ambiente praticamente plano, um trecho da trilha bem leve.

Lá em cima, o caminho é um pouco fechado, tendo que se abaixar várias vezes devido a galhos caídos e a bambuzais que crescem pelo trajeto.

E justamente esses pequenos galhos caídos fazem com que essa parte do trajeto seja arriscado para a sua bunda – quedas são normais nessa parte! 🙂 Cuidado sempre ao pisar, senão um desses galhinhos podem fazer seu pé escorregar e você ir direto ao chão.

Passando desse trecho, a trilha fica mais ampla e dá para caminhar mais tranquilo. Você começa a reparar várias árvores grandes, algumas caídas, em um visual bem bonito.

Uma pedra gigante surge, criando uma área coberta boa para descanso – a Gruta dos Maconheiros. Nesse ponto, o guia foi até uma cacheira próxima, fora da trilha, e trouxe água potável – veja imagens dessa cachoeira logo mais abaixo, ao falar da trilha de Pitanga.

A seguir, as rochas começam a aparecer mais no chão e a trilha deixa de ser sobre a terra. Começa também a área de poços para banho, mas com uma observação. Quando fomos no ano passado, em plena crise hídrica que assolava o Brasil, todos relatavam que os poços já estiveram mais cheios, mas deu para entrarmos na água. Esse ano, em vários pontos, quase não existiam os poços e as águas correndo pelas pedras. Foi triste de ver. Resta esperar se não é uma questão temporária e as chuvas façam as nascentes voltarem.

Seguimos passando ao lado dos cursos d’água que restaram. Mesmo com a seca, é impressionante a primeira vez que se vê: eu não imaginava que dentro do Mestre Álvaro existia umas paisagens como aquelas! Pedras imponentes formando um vale muito bonito.

Chega-se então ao trecho final. A floresta acaba, a trilha fica praticamente plana e surge uma vegetação baixa e seca, com algumas frutas que dá para recolher pelo caminho.

Olhando para trás, dá para ver o cume do Mestre Álvaro e ter uma noção do caminho que percorremos.

Agora são 50 minutos até o portão da Cesan, passando por uma área de pasto, pela famosa árvore solitária e ao lado de Furnas e dos tanques da ETE (até que o cheiro não estava tão desagradável), chegando no portão de saída.

A trilha de Furnas é realmente muito bonita e me impressionou muito. Deixe suas impressões aqui nos comentários caso vá ou já tenha ido.

A trilha de Pitanga, no Mestre Álvaro

Quer saber qual a trilha mais difícil? Para mim, foi essa. A trilha de Pitanga é cheio de subidas íngremes, e de descidas também bastante inclinadas.

O caminho começa no bairro Pitanga, na Serra. De lá, seguindo orientações dos guias, entramos em um pequeno beco e saímos no quintal dos fundos de uma casa.

A parte inicial segue uma trilha com o visual revezando entre pastos e o caminho cercado de plantas secas, pelo menos no período que fomos. Bem tranquilo, com belas vistas e formações rochosas para tirar muitas fotos.

 

Depois de aproximadamente 1:30 h, a depender do ritmo do grupo, entramos definitivamente na região de mata fechada, com pequenas subidas e descidas. Passamos por uma casa de sapê abandonada e por várias grutas, cada uma com utensílios e até colchonetes indicando que às vezes alguém passa um período morando lá dentro – e, de acordo com os guias, varia entre pastores evangélicos e moradores da região que ficam por lá para cuidar e apreciar a natureza.

Ao longo do caminho, a mata vai fechando bastante, chegando ao ponto de necessitar do uso de facão para abrir caminho. Nesse momento, ou você agradece por ter levado blusa de manga e calça compridas, ou se arrepende por não ter levado.

E então, aparece o grande desafio dessa trilha: descer uma encosta, cheia de mato e bastante inclinada. Essa parte é realmente perigosa, com risco de pisar num bolo de folhas e não ter chão embaixo. Segure-se nas plantas – com cuidado para não pegar uma com espinhos – e siga descendo.

Já lá embaixo, estamos na região que se encontra com a trilha de Furnas. Seguindo o caminho, subindo uma pedra com a ajuda dos outros, nós chegamos na parte de cima da gruta dos maconheiros onde a trilha de Pitanga e a de Furnas se unem.

Antes dessa gruta, tem uma cachoeira – ok, pelo volume pequeno, é mais fiel dizer que tem uma pedra com água escorrendo por ela -, onde pudemos parar para beber a água dela e abastecer as garrafinhas, já que ela é boa para consumo.

Juntando-se com a trilha de Furnas, tivemos uma experiência nova para nós, que foi fazer tal trilha no sentido rumo ao topo, morro acima! Essa parte aqui que, juntando todo o percurso anterior, me fez ficar ofegante pela primeira vez no Mestre Álvaro. É uma subida pesada, e da gruta até o topo leva aproximadamente 1 h de puro terreno inclinado.

Mas mesmo assim, claro que dá para fazer, basta ir preparado com alimentação e água. Quando fomos, duas crianças de 7 anos nos acompanharam e uma senhora de mais de 60 seguiu firme e forte.

Como o grupo que estava junto parava bastante para descansar ao longo do percurso, o trajeto foi demorado, levando 5:30 h para chegar até o topo.

E por falar em topo…

O topo do Mestre Álvaro

Para chegar até o topo, independentemente de qual trilha você venha, é necessário passar por um desafio final: uma pequena escalada na rocha, com alguns degraus para facilitar.

Se o seu guia ou grupo levar uma corda, ajuda, mas dá para subir sem isso, tendo muito cuidado.

Lá no alto, de estrutura, somente uma casinha com uma torre. Ao redor, vistas incríveis para todos os lados!

É possível ver Vila Velha, a Terceira Ponte, Vitória, a Rodovia do Contorno, o Rio Santa Maria, o maciço central de Vitória com a Pedra dos Dois Olhos, Serra e suas praias, Fundão, Cariacica e a Região Serrana do Espírito Santo.

Ao fazer seu almoço ou lanche lá no topo, não se esqueça: não há serviço de recolhimento de lixo por lá, nem em nenhum outro ponto do Mestre Álvaro! Recolha todo o seu lixo e leve de volta com você.

Mais informações

É possível que, independentemente da trilha que você faça, o passeio dure de 8 h a 10 h. Isso significa uma coisa: leve muita água! Pelo menos 2 L para cada – se der, leve mais. As subidas são bem cansativas e dá para desidratar bastante.

E pelo tempo que passará lá, é bom começar bem cedo a trilha, entre 6:30 h e 7:00 h, para que não termine o passeio escurecendo ou mesmo no escuro. A sugestão é sempre levar uma lanterna, ou não utilizar o celular o dia todo e no final usar o flash dele como lanterna.

Calça e camisa comprida também são uma boa sugestão, já que em muitos momentos as plantas ficam roçando na gente.

No mais, vá sempre com pessoas experientes e andem em grupo, para garantir uma travessia mais tranquila. Há várias bifurcações pelo caminho e não é nada aconselhável ir sem experiência achando que vai conseguir se virar – o risco de se perder é alto.

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E então, tem alguma dica ou dívida para deixar aqui? Passe nos comentários e deixe sua mensagem para complementar ainda mais este texto!

E, depois que for no Mestre Álvaro, volte aqui para nos dizer o que achou.