Cachoeira Véu da Noiva e Trilha dos Escravos – conheça a Serra do Cipó

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Cachoeiras Véu da Noiva é o que mais tem pelo Brasil (seguido de Cachoeira da Fumaça), mas se tiver um concurso da mais bonita, essa deve ganhar!

A Cachoeira Véu da Noiva da Serra do Cipó está localizada dentro de uma propriedade particular. Para ser mais preciso, dentro da Associação Cristã de Moços de Minas Gerais (ACM-MG), ou, como essa organização é mais conhecida pelo mundo, YMCA.

Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó
Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó

O poço da cachoeira fica no pé de um enorme morro, e no alto deste há um caminho lindo e delicioso de se fazer: a Trilha dos Escravos. Em um determinado momento da trilha, nós chegamos até a beirada da queda da Cachoeira Véu da Noiva, e o resto da trilha são mirantes e até caminho pelo rio.

Continue lendo para ver o nosso relato sobre essas duas belas atrações da Serra do Cipó, e se prepare para ficar desejando ir lá conhecer toda a região! 😉

A Serra do Cipó fica no município de Santana do Riacho, em Minas Gerais, a uns 100 Km de Belo Horizonte. O distrito é cheio, mas cheio de cachoeiras, com o Parque Nacional da Serra do Cipó facilmente acessível e várias das quedas em propriedades particulares. Também vale a pena conhecer outras localidades próximas, como Lapinha da Serra e a Cachoeira do Tabuleiro, a terceira mais alta do Brasil. Aproveite e veja o nosso post apresentando a Cachoeira da Farofa e outro mostrando como é fazer a Travessia Duas Pontes, Congonhas e Gavião, que passa por diversas cachoeiras, tudo dentro do Parnacipó. Deixamos ainda um mapa com a localização de dezenas de outras atrações, para você ter uma pequena noção da quantidade de passeios interessantes que pode ser feito por lá.

Cachoeira Véu da Noiva | Serra do Cipó

Saímos de Vitória e fomos para a Serra do Cipó em um ônibus fretado, no feriado de Corpus Christi de 2017, e, assim, teríamos três dias inteiros para aproveitarmos.

Como não conhecíamos a estrada, acabamos pegando um caminho não tão legal e nos atrasando – veja no final do post como chegar na Serra do Cipó, vindo de Vitória -, assim esse nosso passeio começou ao meio-dia.

O poço da Cachoeira Véu da Noiva está dentro de uma propriedade particular – o Camping Véu da Noiva da ACM-MG -, então, como é comum nessa região, há um custo para curtir o local. Para passar o dia inteiro, o valor era de R$ 30, e para ficar apenas 1 h dentro da ACM saía por R$ 11 por pessoa. Optamos por ficar apenas 1 h por lá, fizemos o pagamento na entrada e seguimos para o poço. O pagamento pode ser feito em dinheiro ou em cartão de débito, mas eu sugiro não confiar no cartão e ter sempre um dinheiro no bolso por segurança.

Portaria de entrada do Camping Véu da Noiva da ACM-MG
Portaria de entrada do Camping Véu da Noiva da ACM-MG

Esses valores são de 2017 e podem sofrer reajustes futuramente. Para um valor mais atual, além de outras informações sobre hospedagem em camping ou em chalé, horários de funcionamento, restaurante e lanchonete lá dentro, acesse diretamente a página da ACM-MG ou ligue para os telefones (31) 3718-7096 e (31) 3274-2749.

Voltando ao relato, fizemos o pagamento, colocamos nossa pulseirinha e entramos. Passamos pela área de camping, por uma represa para um banho nas águas do rio com mais tranquilidade e, ao longe, avistamos o paredão de onde vinha as águas da cachoeira.

Piscina natural dentro do Camping Véu da Noiva da ACM-MG
Piscina natural dentro do Camping Véu da Noiva da ACM-MG

Depois, a trilha fica um pouco mais selvagem, mas com corrimão para auxiliar a passagem pelas pedras.

Passagem estruturada para chegar na Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó
Passagem estruturada para chegar na Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó

Após 500 m e uns 15 minutos de uma caminhada tranquila, avistamos a cachoeira – e que coisa impressionante! O “véu da noiva” caía de um paredão altíssimo de uns 30 m, fazendo uma sequência de umas 3 quedas, enquanto o morro abraçava a sua queda.

Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó
Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó

Embaixo, o poço tinha águas tranquilas e geladíssimas, como em toda Serra do Cipó. Mesmo com a temperatura bem baixa, entramos e conseguimos curtir o ambiente por um bom tempo dentro da água, inclusive embaixo da queda.

Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó
Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó

Do lado de fora, dá para se aglomerar nas pedras. Aproveitamos então para fazer um lanchinho e, quando vimos que estava batendo uns 45 minutos de passeio, começamos a nos arrumar para seguirmos para nosso próximo.

Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó
Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó

Trilha dos Escravos | Serra do Cipó

A Trilha dos Escravos é um percurso que se faz no morro acima da Cachoeira Véu da Noiva, em um circuito de um pouco mais de 2 Km. Mas não se engane pela distância curta, porque sempre dá para deixar o passeio, digamos, mais aventuresco. 🙂

Percorremos a Trilha dos Escravos em 2:15 h, contando a parada para almoço, mas você pode fazer só uma parte do circuito e voltar quando achar que estiver complicado demais, tendo apreciando os principais pontos do passeio – vai da percepção e até do tempo disponível de cada um.

Da portaria da ACM-MG, onde está a Cachoeira Véu da Noiva, seguimos para a direita na MG-010, sendo apenas 400 m de distância de estrada asfaltada até a entrada para a Trilha dos Escravos. Dá para ir a pé com tranquilidade, seguindo uma pequena ladeira. Se você for de carro, tem um estacionamento bem perto do início da trilha, em um recuo na estrada alguns metros à frente, ou você pode estacionar na rua em frente à entrada da ACM-MG e seguir caminhando.

A entrada é marcada apenas por uma pequena placa, e tinha um vendedor de bebidas e pequenos lanches na entrada, ao menos quando fomos. O calçamento que se segue é naquele estilo pé-de-moleque, e a ladeira é acentuada no início.

Início da Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó
Início da Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó

Após uns 300 m de caminhada, saímos da estrada principal calçada para pegarmos uma de terra à direita, em direção ao topo da Cachoeira Véu da Noiva. Atenção para não perder essa entrada, pois não há nenhuma placa indicando, mas é o único desvio claro no caminho.

Na Trilha dos Escravos, pegar uma saída à direita para chegar no topo da Cachoeira Véu da Noiva
Na Trilha dos Escravos, pegar uma saída à direita para chegar no topo da Cachoeira Véu da Noiva

O mato é um pouco mais fechado em seguida, com umas pedras maiores também na trilha, mas logo em seguida ele se abre, como na vegetação típica do Cerrado.

Pelo caminho, a gente vai se deparando com alguns mirantes, permitindo um visual bem completo do distrito de Serra do Cipó!

Uma das vistas que se tem da Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó
Uma das vistas que se tem da Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó

Até que, com 600 m de caminhada no total, menos de 20 minutos, chegamos no topo da Cachoeira Véu da Noiva. A princípio, a gente visualiza um pequeno córrego entre as pedras, com rochas maiores para a gente caminhar por cima.

Córrego d'água da Trilha dos Escravos
Córrego d’água da Trilha dos Escravos

Mas chegando na beira do precipício, vemos então a queda da cachoeira!

O topo da Cachoeira Véu da Noiva - repare as pessoas lááá embaixo!
O topo da Cachoeira Véu da Noiva – repare as pessoas lááá embaixo!

Como sempre se deve ter, é preciso muito cuidado nessa área! Qualquer deslize pode causar um acidente fatal, então não se arrisque, não faça movimentos imprudentes e cuidado ao tirar selfies. 🙂

Cuidado ao chegar na beira do precipício
Cuidado ao chegar na beira do precipício

Depois de um tempo curtindo a vista, paramos por ali mesmo para almoçar em uma grande rocha, sob a sombra de uma árvore.

O clima estava ótimo e deu para relaxar bastante. Imagina que delicioso almoçar ao lado de um riacho desse?

Cascatinha do pequeno córrego que formará a Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó
Cascatinha do pequeno córrego que formará a Cachoeira Véu da Noiva, na Serra do Cipó

Nos levantamos e seguimos riacho acima pela margem esquerda, por um caminho um pouco escondido por trás das árvores. Logo em seguida, nos deparamos com um lindo lago, de águas tranquilas e transparentes, com uma cachoeirinha ao fundo.

Nessa área está uma região que eles chamam de Mãe D’água. Eu não consegui identificar se esse nome se refere a um poço específico, ou a toda essa sequência de poços que vamos mostrar aqui, mas o que sempre falam nos textos que achei é que ali há várias nascentes das águas que irão formar a Véu da Noiva.

Região da Mãe D'água, na Trilha dos Escravos, Serra do Cipó
Região da Mãe D’água, na Trilha dos Escravos, Serra do Cipó

Seguimos agora pela margem direita e passamos pelas pedras, em uma sequência de pequenas quedas muito bonitas. Ali foi fácil de caminhar, pois as pedras estavam bem secas.

Percorrendo o circuito da Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó
Percorrendo o circuito da Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó

Logo em seguida, mais um poço, e este era bem fundo, bom para mergulho e saltos.

Poço para banho na Trilha dos Escravos
Poço para banho na Trilha dos Escravos

A questão era como chegar do outro lado dele sem nos molharmos! Acabamos indo pela margem esquerda, nos agarrando nas rochas, e sempre contando com a ajuda dos outros para nos orientar onde pisar. Essa foi a parte mais difícil do trajeto, e no nosso grupo tinham pessoas com vontade de ir, mas que nunca fariam esse percurso sozinhas, daí a importância de ir sempre com alguém do lado para auxiliar na passagem.

No trecho mais difícil da Trilha dos Escravos, auxiliamos os demais para que todos passassem com tranquilidade
No trecho mais difícil da Trilha dos Escravos, auxiliamos os demais para que todos passassem com tranquilidade

A paisagem continuou linda, com pequenos lagos e belas quedas d’água. Caminhamos por mais algumas rochas altas, mas sem grandes dificuldades, até chegarmos ao final dessa parte do trajeto.

Travessia da Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó
Travessia da Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó

No último poço, havia uma trilha para a direita e outra para a esquerda. A da direita leva mais para frente para dentro do Parque Nacional da Serra do Cipó, em direção às cachoeiras Congonhas – iremos falar delas em outro post! -, mas elas não estavam em nosso roteiro desse dia. Então pegamos o caminho da esquerda. Foram uns 30 minutos de percurso desde a queda da Véu da Noiva até esse ponto.

Último curso d'água na Triilha dos Escravos
Último curso d’água na Triilha dos Escravos

Agora sem nenhum corpo hídrico no nosso caminho, voltamos à paisagem típica do Cerrado para finalizarmos o passeio. Seguimos a trilha principal até encontrarmos o final daquele piso pé-de-moleque e começamos a descida de volta à estrada.

Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó
Trilha dos Escravos, na Serra do Cipó

Essa descida também é bem bonita, pois é mais um local para termos uma vista privilegiada da região, inclusive da área conhecida como Pedreira, à direita.

A Pedreira da Serra do Cipó vista da Trilha dos Escravos
A Pedreira da Serra do Cipó vista da Trilha dos Escravos

Como dissemos no começo, completamos esse percurso em pouco mais de 2 h, mas você também pode fazê-lo em menos tempo, bastando voltar após chegar no topo da Cachoeira Véu da Noiva.

Descida para finalizar a Trilha dos Escravos, com vista para o distrito de Serra do Cipó
Descida para finalizar a Trilha dos Escravos, com vista para o distrito de Serra do Cipó

Fizemos esse roteiro em apenas uma tarde, e depois seguimos para conhecer o centrinho de Serra do Cipó ainda com o céu claro.

Deixo abaixo o trajeto que fizemos registrado no site Wikiloc, para que você possa consultar melhor as informações sobre distância, elevação e direção.

Como chegar na Serra do Cipó

Para sair de Belo Horizonte e chegar ao distrito de Serra do Cipó, no município de Santana do Riacho, basta seguir pela MG-010, passando por Vespasiano e Lagoa Santa. São aproximadamente 100 Km de uma boa estrada asfaltada.

Mas nós saímos de Vitória, e ainda tínhamos que otimizar o percurso para aproveitarmos ao máximo o feriado de Corpus Christi. Adotamos então a mesma solução que tivemos um ano antes, ao irmos para o Parque Estadual do Ibitipoca, também em Minas Gerais: contratamos um serviço de transporte para irmos de ônibus no dia anterior à noite e chegarmos bem cedo no nosso destino.

A grande vantagem de fretar um transporte é que podemos viajar de madrugada e chegarmos ao final do percurso relativamente descansados e já prontos para deixar as coisas na pousada e partirmos para o primeiro passeio.

Escolhemos a Regis Tour para nos levar em um micro-ônibus de 22 lugares. O próprio Regis nos levou, junto com um segundo motorista, e recomendamos o serviço. O ônibus estava em boas condições, o preço foi excelente quando comparado com as demais empresas e ele foi muito prestativo em todas as nossas necessidades durante o passeio. Mesmo com algumas mudanças de roteiro, ele só ajudava a gente, e conseguimos organizar tudo em conjunto para termos um ótimo passeio.

Micro-ônibus da Regis Tour
Micro-ônibus da Regis Tour

O contato com a Regis Tour pode ser feito pelos telefones (27) 3065-0044, 9-9699-0410 ou 9-9800-0459.

De volta às instruções de como chegar na Serra do Cipó, partimos de Vitória umas 21 h na quarta-feira e acabamos chegando no destino com um tempo muito além do programado, lá pras 10 h da manhã – sim, 13 h de viagem -, isso porque não fizemos boas escolhas de trajeto.

O que fizemos na volta para Vitória, e é o que recomendamos, foi simplesmente o indicado pelo Google Maps, conforme o mapa abaixo – sai da BR-262 em Roças Novas, segue para Jacoticatubas e depois vai pela MG-020 até a MG-010. Aí é só seguir para a direita até dar em Serra do Cipó.

Acontece que, no caminho, logo após passar pela praça principal de Jaboticatubas, havia uma placa indicando Serra do Cipó por uma estrada à direita, e um morador local também deu essa indicação. Essa estrada logo em seguida vira de terra, com condições bem ruins, e tem uns 24 Km de comprimento, até finalmente chegar na MG-010. Simplesmente, não siga por esse caminho, e vá normalmente pela MG-020, que também é de terra, mas ao menos são 15 Km e com condições melhores.

De carro, esse percurso deve levar umas 9 h a 10 h, mas de ônibus a velocidade fica extremamente reduzida no trecho da estrada de terra. Fizemos a volta em umas 11 h, com direito a trânsito na descida da BR-262 – volta de feriado no início da noite, aí já viu né.

Já para chegar na Cachoeira Véu da Noiva e na Trilha dos Escravos, basta dar um zoom no mapa abaixo e procurar no seu aplicativo de mapas no celular, que será facinho de encontrar.

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Por fim, uma sugestão: confira o nosso relato apresentando a Cachoeira da Farofa, dentro do Parque Nacional da Serra do Cipó, e todo o trajeto de bicicleta que fizemos para chegar até ela! As paisagens são lindas!

Por fim, uma sugestão: confira os nossos outros relatos apresentando a Serra do Cipó. Contamos como é seguir de bicicleta até uma atração do Parnacipó, a Cachoeira da Farofa, e apresentamos também outras seis cachoeiras no Parque Nacional da Serra do Cipó em uma travessia lindíssima passando pelas Duas Pontes e pelas cachoeiras Congonhas, Gavião, Tombador e Andorinhas. Confira e comente para falar o que achou!