Ilha Grande – conheça esse lindo lugar e suas trilhas

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Apresentamos para vocês um roteiro de sete dias em Ilha Grande, com grande destaque para as trilhas de lá, além de apresentar os passeios e as praias.

lha Grande é uma ilha no sul do RJ, pertencente ao município de Angra dos Reis. Além de ser uma ilha, ela também é… grande! As redundâncias são para dizer que o roteiro que apresentamos ao longo deste texto está LONGE de ser um roteiro exaustivo.

Passamos sete dias por lá, e, pelos meus cálculos, mais uns 30 daria para conhecer tudo (se o mar, o céu e o vento colaborarem). São mais de 100 praias, vilas isoladas, sem caminho direto por terra, trilhas fechadas, longas distâncias, mar muitas vezes agitado em alguns pontos, e isso tudo dificulta muito acessar com facilidade e em pouco tempo as muitas paisagens exuberantes do local.

Vamos então às nossas dicas para aproveitar seu passeio em Ilha Grande!

Como chegar em Ilha Grande

Nosso voo chegou no Galeão, então a primeira coisa que fizemos foi pegar o ônibus que os cariocas chamam de Frescão, em direção à rodoviária Novo Rio, um ônibus azul da empresa Real, que fica logo à direita quando se sai do desembarque. De acordo com o site da empresa, somente a linha 2018 faz o trajeto que passa no Galeão e na rodoviária (R$ 14,65).

Na rodoviária, pegamos um ônibus da viação Costa Verde. E aqui que começam as dúvidas: por onde embarcar para Ilha Grande? Comprar passagem para onde? Há quatro opções: Mangaratiba (centro), Conceição do Jacareí (bairro de Mangaratiba), Angra dos Reis e até Paraty.

Esse é um relato mais pessoal. Há diversas opções e motivos para você fazer diferente, e os sites Ilha Grande e IlhaGrande.Org detalham muito mais as opções. Dêem uma olhada lá depois.

Mas para ser bem direto: vá para Conceição do Jacareí. É o ponto mais perto entre o continente e a ilha, onde tem lanchas rápidas que partem em diversos horários ao longo do dia, com o translado levando uns 20 minutos, ou até menos. De lá só se vai para a Vila do Abraão, a principal vila – daí a sugestão de olhar os dois sites citados, para saber como embarcar para as demais vilas.

Pegamos a linha que vai para Angra dos Reis (R$ 49), mas para em um ponto em Conceição. O trajeto leva umas 2:30 h, a depender do trânsito no Rio. Há opção também de ir para Conceição de van, desde o Galeão ou de outros pontos do Rio, mas não chegamos a pesquisar (o site Ilha Grande dá uma sugestão, ou você pode tentar um transfer com alguma agência de turismo local).

Saltando em Conceição, na BR-101 (rodovia Rio-Santos), fomos direto para o guichê da agência Vilanova Tour, que tem parceria com a Costa Verde, em uma loja ao lado do ponto. A ida de lancha rápida custa R$ 35, mas se já pagar a volta sai a R$ 30 o trecho (não é necessário definir a data e hora de volta lá, mas marque assim que puder na Vila do Abraão pois pode não ter vaga na lancha ou no ônibus no horário que você desejar). Nos direcionamos para o píer em uma caminhada de uns 5 minutos. Era umas 11:30 h e a próxima lancha sairia às 13:00 h, então batemos um PF por ali mesmo.

O translado levou 17 minutos. Se você sente enjoo no mar, aconselho mais ainda essa opção, pois o desgaste acaba logo.

De novo, há muitas opções de chegada. Sugerimos a básica, principalmente para a primeira ida à ilha. Pesquise qual a melhor para você antes de ir.

Conhecendo Ilha Grande

 

A principal vila é a do Abraão, onde estão as principais pousadas, muitas agências de turismo, mercados, etc. As outras vilas são menores (Provetá é a segunda mais populosa) e possuem muito menos infraestrutura. Para chegar até elas, provavelmente você precisará voltar para Angra dos Reis e pegar um transporte de lá, ou então pagar caro em uma embarcação que saia de Abraão mesmo. Não há acesso de carro a nenhuma outra comunidade (a exceção é a vila de Dois Rios, mas que é um campus da UERJ). Pega celular no Abraão, NÃO tem caixa automático nem banco para sacar dinheiro, praticamente todos os estabelecimentos (de Abraão) aceitam cartão, tem farmácia, e outras dúvidas básicas estão esclarecidas aqui.

Os passeios pagos são para ir de barco (escuna ou lancha) para outros pontos da ilha. Existem os passeios Lagoa Azul, Lagoa Verde, Lopes Mendes, Super Sul, Gruta do Acaiá, Volta à Ilha, Meia Volta à Ilha, dentre outros, cada um parando em mais de um local. São muuuuitas agências de turismo em Abraão, que irão te oferecer passeios constantemente. Os preços, pelo que vimos, são tabelados, então é achar uma de confiança e ir com ela.

Para ir de uma praia a outra, com comodidade, há o serviço de taxi boat, que te leva para as principais praias próximas à Abraão, com preços que variam de R$ 10 a R$ 50, ou muito mais se só estiver você na lancha. É se informar no local mesmo, mas pode deixar que eles irão te oferecer irritantemente constantemente.

Além dos passeios pagos e ficar nas praias torrando, outra principal atração de Ilha Grande é fazer trilhas. \õ/ Há um mapa detalhado com todas as 16 trilhas no IlhaGrande.Org, que nos baseamos para fazer algumas. Nós não confiamos muito na precisão das distâncias e dos tempos informados lá, mas é bom para nos guiar. Pergunte para os moradores caso vá fazer alguma diferente das que descrevemos aqui. As trilhas são geralmente longas, demoradas, dificilmente dá para fazer mais de duas por dia e voltar para o ponto de partida, então é bom pesquisar muito antes. A única trilha que é fundamental pagar um guia para fazer é a que leva ao Pico do Papagaio (T13) (uma agência atrás da loja da Havaianas fornece esse serviço, saindo às 2:30 h da madrugada para ver o nascer do sol).

E não mergulhamos dessa vez, por não ter dado tempo e pelo clima não estar nada favorável, mas há também opção de mergulho (snorkel ou autônomo), pois a água é muito transparente!

Sem mais delongas, vamos ao nosso roteiro sugerido.

Dia 1

Após chegarmos na ilha e nos hospedarmos, estávamos prontos para iniciar nossos passeios às 14:30 h.

Atenção pois fomos em outubro no período do Horário de Verão! Adapte o horário para o período que você for caso queira levar em consideração as informações aqui passadas, como o horário que escurece.

Escolhemos iniciar pela trilha T01 (Circuito na Vila do Abraão) e fazer uma parte da T02 (Aqueduto – Saco do Céu), pois era o que dava para fazer nesse restante de dia. A T01 é uma trilha bem fácil, do tipo “para toda a família”, que fica dentro do Parque Estadual da Ilha Grande. Para chegar até o início dela, basta ir até a orla de Abraão e segui-la pela esquerda, onde encontrará o portal de acesso ao parque a uns 700 m do píer da barca. O parque na verdade engloba quase toda a ilha, mas é nesse local que fica sua “entrada principal”.

A trilha T01 é uma rota circular. Iniciando-a pela esquerda, uma subida leve irá te levar até o Mirante da Praia Preta, uns 700 m a frente. 300 m depois, está o Poção, ou Cachoeira dos Escravos, um laguinho delicioso formado pelo rio que desce dos morros, bom para se banhar. Logo mais, chega-se no Aqueduto, uma construção do Século XIX que levava água para o Lazareto. A trilha T01 continua para a direita, fazendo o contorno para retornar para o ponto inicial. Em 400 m, chega-se nas ruínas do Lazareto, que funcionou como hospital de quarentena e presídio. Dali, siga para a Praia do Galego e caminhe pela areia até a Praia Preta por mais 400 m. Em 1 h, são vistas lindas paisagens para serem admiradas e fotografadas, rios, ruínas, pontes e até mesmo macacos saguis – mas se lembre de não alimentar os animais!

Contudo, nós não seguimos exatamente esse caminho. Ao chegarmos no aqueduto, seguimos reto, iniciando a trilha T02, essa sim, muito mais puxada! Suamos bastante! Já começa com uma subida constante de 1,3 Km. Após 2,2 Km do início dessa trilha, chega-se em uma placa que indica a Cachoeira da Feiticeira pela esquerda, ou a Praia da Feiticeira para a direita. Seguimos para a cachoeira, 300 m a frente.

No caminho, avistamos nas copas das árvores uns 6 macacos-prego!

Chegamos na cachoeira aproximadamente 1:30 h após o início da T01. Claro, o tempo depende bastante do seu ritmo (fizemos uma média de 15 min/Km) e de quanto tempo você fica parado admirando as paisagens. A cachoeira é bem bonita, mas sem muito espaço para banho – talvez por não estar com tanta água nesse período.

Partimos para a Praia da Feiticeira seguindo as placas pelo caminho. Foram uns 25 minutos até lá (1,3 Km), com direito a um belo mirante do Saco do Céu. A praia é bem bonita, com águas calmas.

Mas o interessante mesmo foi o casal de cachorros que estava lá na praia. Quando fomos embora, a cadela começou a nos seguir! Fomos andando e ela sempre do nosso lado. Comecei a ficar preocupado, achando que ela iria se perder no meio do mato (ô ingenuidade…), quando percebemos que ela conhecia mais a trilha que nós! 1 Km afrente, chega a galopes o seu amigo de praia. Daí, os dois seguiram nos acompanhando o trajeto todo, sempre nos esperando quando se afastavam. Até que começaram a latir desesperadamente e vimos que estavam atrás de uma família de macacos bugio! Muito bonito avistá-los de tão perto, mesmo com a natureza se enfrentando. =oP

Finalizamos o passeio agora sim seguindo pelo restante da T01, levando 1:10 h vindo direto da praia até a entrada do parque (4 Km), e totalizando umas 4:30 h de passeio, claro, contando as paradas para aproveitar as paisagens, cachoeira e praia.

Resumo do Dia 1:

  • Trilha T01 (Circuito na Vila do Abraão).
  • Mirante da Praia Preta.
  • Poção (Cachoeira dos Escravos).
  • Aqueduto.
  • Lazareto.
  • Praia do Galego.
  • Praia Preta.
  • Trilha T02 (Aqueduto – Saco do Céu) – somente um trecho.
  • Cachoeira da Feiticeira.
  • Mirante do Saco do Céu.
  • Praia da Feiticeira.

Dia 2

Começamos o dia com a expectativa de fazer o passeio Volta à Ilha, mas o mar de fora (voltado para o oceano) estava muito agitado. O tempo estava bem nublado e ventando muito. Então acabamos saindo tarde, pro nosso padrão, e às 9:30 h iniciamos a trilha T10 (Abraão – Mangues – Pouso) para em seguida partir pra T11 (Praia do Pouso – Lopes Mendes).

Na nossa opinião, a T10 deveria ser separada em duas, isso porque ela tem um trecho que faz as praias da Enseada do Abraão, depois volta tudo até a Praia da Júlia e segue em direção a Praia do Pouso por outro caminho.

De qualquer jeito, a trilha inicia-se na Vila do Abraão, seguindo para a direita da enseada, pela praia, em direção à Praia do Abraãozinho. O caminho é uma intercalação de praias e trilhas. As praias são pequenas e gostosas de ficar, mas não aconselho o banho nas águas dessa enseada – veja o porquê no final do texto.

São aproximadamente 2 Km até Abraãozinho. Levamos pouco mais de 1 h para chegar pois ficamos parando para fotos e curtindo as praias, mas indo direto dá uns 25 a 30 minutos. A trilha apresenta pequenas dificuldades, tendo pontos escorregadios quando chove.

A alguns metros da escada dessa última praia, há uma trilha à esquerda para a Praia do Sobrado, mas que não dá acesso para o mar senão por terreno particular. Não acho que valha a pena ir, até porque dá para ver a praia toda a partir de Abraãozinho – esta sim, uma praia muito boa para ficar, pois o mar é calmo, tem muita sombra e a água estava com uma temperatura muito agradável.

Voltando para a Praia da Julia, seguimos para o restante da T10. A partir daqui, a trilha fica difícil, com 1,5 Km de subida, obstáculos e trechos escorregadios quando molhado. Até Palmas, são 2,7 Km que fizemos em 1:20 h. Foi um trecho bem cansativo. Eram quase 13:30 h, então resolvemos almoçar por lá. Comemos um PF de R$ 25 no primeiro restaurante da praia.

De lá até Mangues e Pouso, duas praias coladas, foram uns 45 minutos (2 Km) e então mais 20 minutos (1 Km) até Lopes Mendes. Quem vai de taxi boat para Lopes Mendes é deixado em Pouso e também tem que fazer esse trecho final caminhando. Em Pouso há um restaurante flutuante, caso alguém queira almoçar por lá.

Já eram umas 15:20 quando chegamos em Lopes Mendes, então fizemos os cálculos e vimos que não dava para aproveitar tanto assim a praia, senão pegaríamos muito trecho escuro na volta (o Sol se punha umas 19:00 h, horário de verão). Não fizemos, mas aconselhamos caminhar pela praia até a outra ponta, onde há uma capela e um mirante no alto do morro. Essa é a praia dos surfistas, o mar é muito agitado e com fortes correntezas, então tomem muito cuidado ao se aventurar nessas águas. No meio do caminho para Lopes Mendes, há também uma descida para a Praia de Santo Antônio, que também não tínhamos tempo para ir.

Começamos a voltar para Abraão umas 16:00 h e calculamos que faríamos o trajeto em 2 h. Contudo, ao sair de Palmas, há a trilha para a Praia Brava, e resolvemos dar um pulo lá também. É uma trilha bem rápida, de uns 300 m. A praia é ótima e possui uma pousada muito bonita com restaurante. Tomamos duas cervejas Black Princess para nos refrescarmos que também estavam ótimas, bem como o preço – R$ 9 a de 300 ml!

Acabou que ficamos curtindo demais a Praia Brava e pegamos um bom trecho do final da trilha no escuro. Ainda bem que as baterias dos celulares estavam boas, pois suas respectivas lanternas quebraram um galho. (Dica: deixem os celulares no modo avião o passeio todo. Nada de ficar buscando sinal pelo caminho. Aproveitem as paisagens!) Chegamos às 19:30 h em Abraão.

Resumo do Dia 2:

  • Trilha T10 (Abraão – Mangues – Pouso).
  • Praia da Julia.
  • Praia Comprida.
  • Praia da Biquinha.
  • Praia da Crena.
  • Praia do Sobrado.
  • Praia do Abraãozinho.
  • Trilha T11 (Praia do Pouso – Lopes Mendes).
  • Praia de Palmas.
  • Praia de Mangues.
  • Praia do Pouso.
  • Praia de Lopes Mendes.
  • Praia Brava.

Dia 3

Novamente, tínhamos a expectativa de fazermos o Volta à Ilha, mas de novo o dia amanheceu chovendo. Acabamos fazendo o passeio Meia Volta à Ilha (R$ 130), o que, sinceramente, foi muito frustrante para nós.

Esse passeio passa pela Lagoa Azul, Lagoa Verde, Praia de Maguariqueçaba e dá uma volta no Saco do Céu (Praia do Amor e Praia da Feiticeira).

O céu estava bem nublado para chuvoso, com um ventinho frio. Acabamos indo assim mesmo, pois não teríamos outra oportunidade de conhecer as lagoas Azul e Verde.

Saímos umas 11:00 h em uma lancha rápida para a primeira parada, a Lagoa Azul, que é uma região do mar de cor bem azulada e com águas bem calmas, por ficarem entre duas ilhas. Com o céu cheio de nuvens, o visual não estava como nas fotos de propaganda. E ao chegarmos, a decepção: o turismo predatório que essa parte da ilha sofreu e sofre. As lanchas jogavam as âncoras em qualquer lugar, as pessoas estavam pisando no fundo do mar, e tudo isso acarreta no quê? Destruição dos corais que lá estão, ou que estejam tentando se formar. É um deserto, com poucos peixes e poucos corais. Deu ainda para nadar ao lado de uma tartaruga marinha, ver uma estrela do mar, um ou outro coral, mas era muita gente na água (em dia chuvoso! Imagina em dias ensolarados…), uma falta de cuidado com a natureza… Isso nos abateu bastante. Falo mais sobre esse cuidado com a natureza no final do post.

Poderíamos ficar 1 h por lá, mas mal ficamos 30 minutos. Todos já estavam “satisfeitos” e poderíamos tocar o barco para a próxima atração, que foi a Lagoa Verde. A cor da água das duas lagoas realmente fazem jus aos seus nomes. A Lagoa Verde fica numa pequena enseada, também apresentando as águas calmas. Novamente, todos pisando no chão, sendo que aqui era mais raso e composto mais por pedras. O frio já tinha batido mais forte e não deu ânimo de fazer nenhum mergulho por lá.

Hora de ser extorquido escolher o almoço na lancha para dar tempo do prato ficar pronto para quando chegarmos em Maguariqueçaba. R$ 80 era o prato para dois mais barato (posta de peixe, pirão, arroz e banana assada). Após o almoço, o capitão da lancha foi até o píer com sardinhas para entregar para uma conhecida dele: uma tartaruga marinha que está sempre na região.

De lá, fomos navegar no Saco do Céu e na Enseada das Estrelas, mas a chuva começou. Não estava tão forte, mas foi o suficiente para ninguém querer descer na Praia da Feiticeira. Ficamos passeando pela enseada, próximo à Praia do Amor, para então voltar para o Abraão.

Por fim, o que se diz nas propagandas que deveria ser um passeio das 10:30 h às 17:30, acabou sendo das 11:00 h às 15:30 h (2:30 a menos), claro, muito por culpa dos passageiros, que não quiseram ficar mais tempo em cada lugar. Mas em resumo, nós acreditamos que foi um dinheiro muito mal gasto. O tempo não estava bom e participamos dessa depredação ao meio ambiente. Há o passeio de escuna para a Lagoa Azul por R$ 60, caso queriam muito conhecê-la. Ou então paguem um pouco a mais para fazer a Volta à Ilha (R$ 180), caso as condições do mar permitam.

Resumo do Dia 3:

  • Passeio Meia Volta à Ilha (Lagoa Azul, Lagoa Verde, Praia de Maguariqueçaba, Saco do Céu, Enseada das Estrelas, Praia do Amor e Praia da Feiticeira).

Dia 4

Diferente do dia anterior, esse dia foi excelente! Fomos conhecer o antigo presídio e as praias Dois Rios e Cachadaço.

A Vila de Dois Rios é um campus da UERJ, onde toda a comunidade que mora lá está de alguma forma a serviço da universidade. Assim, não tem pousada nem é permitido pernoitar ali.

Para chegar até lá, seguimos a trilha T14 (Abraão – Vila de Dois Rios), que tem início ao lado do campo de futebol da Vila do Abraão (na direção do píer da barca, atrás do Centro de Visitantes). Basta seguir a Estrada para Dois Rios até o fim. Essa é a única estrada para veículos que liga o Abraão a outra comunidade.

São 9 Km até a entrada do campus em uma estrada de terra bem conservada, sendo 4,3 Km só de subida e depois mais 4,2 Km só de descida. O caminho é muito bonito. Com 1,5 Km, tem-se à direita a entrada da trilha T13 que leva até o Pico do Papagaio. No Km 3, o Mirante da Curva da Morte, de onde se tem uma bela vista da vila e da enseada de Abraão. No Km 7, há a Piscina dos Soldados, um poço com uma cachoeirinha muito bonito e bom para se banhar após essa longa caminhada. E ao longo de toda a estrada, pequenas cachoeiras e riachos.

Muitos falam que a T14 é uma trilha boa para se ir de bicicleta, que pode ser alugada no Abraão por R$ 50 a diária. Sim, é uma estrada para carros, então dá para ir de bicicleta com certeza. A questão são essas subidas de mais de 4 Km contínuos (na ida e na volta). Se você está capacitado para fazer esse percurso, é uma boa sugestão.

Nós não sabíamos na hora, mas depois descobrimos que há duas trilhas que cortam caminho ao longo da estrada! Uma é a Trilha do Bicão (com uns 700 m de comprimento), na Curva da Morte, que leva até o Abraão (dê uma conferida neste mapa para saber a localização precisa). A outra inicia-se aproximadamente uns 700 m após a estrada começar a descer (sentido Dois Rios), em um bambuzal à direita, indo até a Piscina dos Soldados. Sugiro utilizar esses atalhos somente na volta, porque você pode perder boas paisagens da estrada principal, mas se informem antes com pessoas locais, pois eles podem não estar em boas condições (mata fechada, falta de sinalização, etc).

Levamos 2:20 h para chegar até o campus. Aparentava estar deserto e abandonado, mas aos poucos outros turistas e funcionários foram aparecendo.

O Museu do Cárcere (MUCA), ou Ecomuseu da Ilha Grande, fica situado no final da rua principal do campus, no antigo presídio Instituto Penal Cândido Mendes, e funciona das 10 h às 16 h, de terça a sexta. É um museu bem pequeno, com quatro salas: uma contando a história do presídio, outra fazendo uma propaganda da situação das prisões do RJ hoje em dia (pois é…), a terceira é um espaço para mostrar obras de reciclagem da comunidade e a última sala é um espaço que expõe um pouco da cultura indígena.

Um pouco mais adiante está o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da UERJ, o motivo do campus existir. E, logo em seguida, a Praia de Dois Rios! Em cada extremo da praia há um rio desembocando no mar. Nós fomos primeiro conhecer o da direita e acabamos ficando por lá mesmo. É um rio muito gostoso de ficar, adoramos! Depois fomos conhecer o resto da praia e o outro rio, que é agradável também, mas eu preferi o da direita, também por ser mais isolado.

Almoçamos em um bar no meio do campus, que serve um PF de R$ 20 bem gostoso. Recomendo!

Seguimos então para a próxima trilha, a T15 (Dois Rios – Praia do Caxadaço), que fica a uns 400 m da entrada do campus, com destino à Praia do Cachadaço. A trilha é difícil, cansativa, com muitos pontos escorregadios e pegadinhas que, se não prestar atenção, podem te fazer errar o caminho (mas dá para ir, é só prestar atenção). Chegamos na praia em 1:10 h (3,2 Km).

A chegada é em um pequeno riacho com um poço bem bonito. A trilha continua mais um pouco atravessando o riacho e indo pela esquerda, contornando uma pedra e finalmente chegando na areia. A faixa de areia é bem pequena, uns 15 m, mas a enseada que se forma entre as pedras é linda! O azul é muito forte, e olha que o tempo estava bem nublado. À esquerda, há umas pedras em formato de pomba (na minha opinião…) que, se contorná-la, dá para ver a Praia de Lopes Mendes. Mergulhamos um pouco e fomos logo embora, pois chegaríamos já no escuro em Abraão e a chuva estava para vir!

Fizemos o caminho de volta da T15 em 1 h, mas o chão estava bastante escorregadio! Começou a chover, o que só piorou a situação. Já na estrada principal, a chuva ia e vinha, o frio já batia e ainda tinha o cansaço… Nossa, como demorou para chegarmos! Estávamos exaustos, pernas e joelhos doloridos… Saber dos atalhos ajudaria muito nesse momento, mas seguimos e concluímos no mesmo tempo da ida, já escurecendo.

E novamente os cachorros estavam marcando presença na trilha. Tinha um acompanhando dois surfistas e outro acompanhando um casal à nossa frente. Ele ficou o caminho todo olhando para trás e nos esperando para ver se ainda estávamos no trilho certo. Ah, os cachorros de Ilha Grande são muito atenciosos! Verdadeiros cães-guia! 🙂

Resumo do Dia 4:

  • Trilha T14 (Abraão – Vila de Dois Rios).
  • Mirante da Cuva da Morte.
  • Piscina dos Soldados.
  • Museu do Cárcere (Ecomuseu da Ilha Grande).
  • Praia de Dois Rios.
  • Trilha T15 (Dois Rios – Praia do Caxadaço).
  • Praia do Caxadaço.

Dia 5

Esse dia poderia ter sido assim: finalmente foi possível fazer o passeio Volta à Ilha. Com o sol a pino, conhecemos as praias Aventureiro, Parnaióca e Meros! Uma maravilha!

Ou assim: com o sol forte, pudemos aproveitar mais as praias da Enseada do Abraão, mergulhamos e avistamos muitos peixes. Com esse descanso, conseguimos estar preparados para subir até o Pico do Papagaio às 2:30 h da manhã, para ver o nascer do sol.

*Suspiros*

Mas a realidade foi:

O dia amanheceu novamente frio, mas a nossa expectativa era conseguir curtir mais uma praia. Escolhemos então ir para a Abraãozinho. Nos estabelecemos embaixo de umas árvores, e um pouco depois começou a chuva.

As folhas nos protegiam, mas nem tanto, até que decidimos ir para o bar ao lado. Tomamos uma cervejinha para justificar a mesa ocupada e, assim que a chuva deu uma trégua, voltamos ao nosso ponto original para mais umas horas curtindo o friozinho à beira do mar. Não deu ânimo nem de entrar na água.

Na volta, fomos à agência que fornece o serviço de guia para ver o amanhecer no Pico do Papagaio, mas ela não estava aberta ainda. Acabamos nem indo mais, pois nos outros dias estávamos extremamente cansados das trilhas. De qualquer jeito, pelas fotos e vídeos que vimos, recomendamos muito esse passeio (entre em contato com o Martin, que é “o guia” dessa trilha). E o interessante é que em todos os vídeos estava lá um cachorro, o mesmo, subindo o pico com os grupos todas as madrugadas. Já falei que os cachorros da ilha são muito companheiros?

Resumo do Dia 5:

  • Abraãozinho.

Dia 6

Para o último dia de passeio… chuva! A água caía desde cedo, mas às 9:30 ela parou e conseguimos ter ânimo para voltar à Trilha T02 (Aqueduto – Saco do Céu), que fizemos parcialmente no primeiro dia, e completá-la.

Voltamos então para a entrada do Parque Estadual da Ilha Grande, onde se inicia a T01. Escolhemos passar pelo lado do Lazareto, ao invés de seguir a trilha pela esquerda, mas aí é opção de cada um, não faz muita diferença no final, pois ambos os caminhos chegarão no aqueduto.

A T02 vai do aqueduto até a comunidade de Saco do Céu. Foram aproximadamente 9 Km desde o início do parque, coisa de 3:30 h com paradas para fotos, admirar as paisagens e almoçar.

A trilha é bem pesada no início, como relatamos no Dia 1, com uma elevação de 220 m nos primeiros 40 minutos. Siga as placas que indicam a Praia da Feiticeira, com exceção da última, que fica por volta do Km 3,2 (1 h de caminhada, a depender do seu ritmo). Nesse trecho, o caminho de divide, com a Praia da Feiticeira à direita e o caminho para o Saco do Céu à esquerda. Outra dica é seguir os fios da rede elétrica, que também vão em direção ao Saco do Céu.

Logo em seguida, há um riacho com pedras bem escorregadias a ser cruzado. No Km 4,4, tem uma entrada à direita para a Praia do Iguaçu. Tinha uma árvore caída no início e acabamos deixando para conhecer essa praia na volta. Sinceramente, não vale a pena, mas é só a nossa opinião. Caso queira, siga a trilha pela direita para chegar na praia, pois há uma bifurcação mais à frente. O caminho é bem fechado, tendo que se desviar dos galhos constantemente.

No Km 5, uma grande escadaria nos leva até a Praia da Camiranga (se prepara para subir ela na volta!). A partir daqui, a trilha é praticamente plana, sem grandes subidas ou descidas. A praia segue beirando uns arbustos, e, com a maré subindo, já prevíamos que teríamos problema na volta. A trilha volta para um caminho de terra de uns 500 m e, em seguida, chega-se à Praia do Perequê, bem semelhante a Carmiranga, também com arbustos bem próximos à água.

Acabando essa praia, a trilha segue por terra firme até o fim, com caminhos fáceis e abertos. Passamos pela comunidade da Praia de Fora e, pelo caminho, bonitos riachos. O caminho segue beirando a área do manguezal até a Praia do Galo, onde passamos pelo deck de um restaurante com uma área particular gramada e bem bonita. Uns 4 minutos depois, há uma divisão com uma ponte de madeira para a direita e um caminho com pedras e escadarias mais à frente. A trilha segue por essa ponte à direita; o outro caminho leva até um trecho sem saída, com umas casas no alto do morro.

Logo depois, passamos entre a pousada e o restaurante Coqueiro Verde (que dizem ser o melhor e o mais caro da ilha) e chegamos na comunidade Enseada das Estrelas. Paramos lá para fazer um pequeno almoço com frutas que levamos e um dos “cães-guia” do local resolveu nos adotar nesse percurso entre a comunidade e o final da trilha! Obaa!

Por falar nisso… Finalmente, o final da trilha! 😀 Paramos embaixo de uma árvore, na beira de um cais, e ficamos descansando e olhando a enseada.

Em algum lugar próximo a nós deveria estar a Praia do Conrado, mas eu não identifiquei qual era ela.

Iniciamos o caminho de volta umas 14:00 e levamos 2:40 h, com direito a uma ida na Praia do Iguaçu, como falei antes. A chuva foi indo e vindo ao longo do percurso, e tudo estava mais escorregadio ainda. Depois de 5 dias trilhando, minha panturrilha já tinha pedido arrego, mas deu para chegar até o final. E com a maré alta, tivemos que tirar os calçados para fazer o trecho entre as praias Perequê e Camiranga.

Resumo do Dia 6:

  • Trilha T01 (Circuito na Vila do Abraão).
  • Trilha T02 (Aqueduto – Saco do Céu).
  • Praia do Itaguaçu.
  • Praia da Camiranga.
  • Praia do Perequê.
  • Praia de Fora.
  • Praia do Galo.
  • Enseada das Estrelas.

Dia 7

Último dia na ilha, hora de partir. Pegamos a lancha da Vilanova Tour às 9:30 h e em 20 minutos estávamos em Conceição do Jacareí, para pegar o ônibus umas 10:40 h para o Rio de Janeiro.

Sobre a sustentabilidade e conservação ambiental de Ilha Grande

Vamos a um assunto difícil, mas necessário ser dito.

Ilha Grande não tem tratamento sanitário. Isso significa que as comunidades jogam o esgoto gerado ou nos rios próximos, ou diretamente no mar.

Sim, é triste, muito triste, e inconcebível que os governos municipal e estadual, diretamente relacionados à ilha e aos parques de lá, mantenham essa situação há anos.

A ilha tem 87% de seu território protegido por parques e reservas (Parque Estadual da Ilha Grande, Reserva Biológica da Praia do Sul e Parque Estadual Marinho do Aventureiro), mas a comunidade da Vila do Abraão, que está fora dessas proteções, despeja o esgoto nos rios e na Enseada do Abraão (daí o motivo de nós não aconselharmos entrar nas águas dessa enseada). Andando pela vila, você vê os riachos passando em direção ao mar cheios de urubus, lixos e uma água escura que não aparenta ser de matéria orgânica da floresta.

Nas ruas, os lixos se acumulam aos montes até que haja a coleta da prefeitura, mas, até lá, urubus e cachorros já exploraram todos os sacos, fora o visual horrível que fica para todos os turistas (nacionais e estrangeiros).

Outra grande crítica é em relação ao turismo predatório que sofre a Lagoa Azul e a Lagoa Verde. Como disse, juntam-se dezenas de lanchas a cada fim de semana ensolarado, com suas âncoras se arrastando e as pessoas pisando diretamente onde deveriam estar se formando corais, acabando com a beleza do local e evitando que a fauna e a flora marinha se forme.

Uma solução é o que já é feito na Praia do Aventureiro: há um limite de visitantes por dia nessa praia. Esse limite ajuda na redução da depredação que já ocorre. Outras soluções envolvem: a instalação de um ou mais atracadouros para prender as lanchas e escunas, evitando assim jogar âncoras no mar; e a obrigatoriedade do uso de coletes salva-vidas e a proibição de que se pise no fundo do mar, como acontece em praias e piscinas naturais de Fernando de Noronha. Os coletes poderiam até ser uma nova forma de monetização do turismo local.

Tudo isso visando a sustentabilidade do turismo de Ilha Grande, para que nossos filhos e netos possam ter o mesmo visual (na verdade, um visual melhor) que nós temos hoje.

Mas ainda sim todos esses problemas não prejudicam tanto a experiência turística que encontramos lá. Ainda sim, vale muito ir duas, quatro, seis vezes na ilha, com cada ida conhecendo um novo local!

Voltaremos com certeza!

Deixo então uma música do meu amigo Elias Lima que diz muito sobre o respeito que a natureza merece.

Mais informações

Como informamos, os sites Ilha Grande e IlhaGrande.Org são excelentes fontes de informação sobre diversos aspectos da ilha. Sem dúvidas devem ser bastante explorados antes de uma visita.

Além disso, gostei muito desses dois posts a seguir que envolvem praias que não fomos.

O primeiro, do blog Casal Só Viagem, mostra como chegar na Praia do Aventureiro e nas praias próximas e acampar na Vila de Provetá.

Já o blog PitBull Aventura mostra como é chegar em Parnaioca via a trilha para Dois Rios. Também uma descrição muito boa e detalhada.