Matilde – trilho, trilhas e cachoeiras

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À princípio, parece que ir à Matilde se resume a visitar três pontos turísticos: Cachoeira Engenheiro Reeve (também conhecida como Cachoeira de Matilde), Estação Ferroviária e Túnel Encantado. Pesquisando mais um pouco, percebemos que nas regiões ao redor também têm diversos outros pontos interessantes – e sim, envolve rios e cachoeiras!

Apresentamos abaixo um roteiro de dois dias para aproveitar diversas atrações da região.

Como chegar

Matilde é um distrito de Alfredo Chaves, e para chegar lá há basicamente três caminhos: BR-101, BR-101+Rodovia do Sol e BR-262. Todos levam praticamente o mesmo tempo (1:40 h), considerando a saída de Vitória. Pela BR-262, o caminho é mais curto (90 Km), mas envolve trechos com alto risco de acidentes, que os capixabas já conhecem. A saída da BR é feita na placa para Alfredo Chaves, no Posto Shell. Já pela BR-101 (105 Km, indo ou não pela Rodovia do Sol), a sugestão é pegar a Rodovia do Sol, seguir para o Trevo de Guarapari na BR-101 e virar para Alfredo Chaves uns 8,5 Km depois. Mesmo com os pedágios totalizando R$ 8,00, eu prefiro muito mais esse caminho pela tranquilidade e qualidade das pistas. Após sair de qualquer BR, o caminho é muito bem sinalizado e chegar em Matilde é fácil.

Conhecendo o local

O mapa abaixo mostra os pontos turísticos que iremos apresentar neste post.

Dia 1

Quase chegando em Matilde, encontramos logo o cartão postal do local: a Cachoeira Engenheiro Reeve, ou Cachoeira de Matilde. Estacione o carro em um pequeno estacionamento de onde é possível visualizar o vale afrente – que poderia ser mais bonito se não estivesse tudo desmatado, dando lugar a muitos pastos.

Desça as escadas para chegar no mirante da cachoeira, de onde se tiram as clássicas fotos com ela ao fundo. Passando por baixo do corrimão, dá para ir caminhando pelas pedras até chegar embaixo da cachoeira, ou então ter acesso ao lago formado pelas quedas de suas águas. Preferimos não tomar banho lá (por estar chegando de viagem, tendo que trocar de roupa e no final não fez falta) e seguimos para a nossa pousada.

Ficamos na Pousada Camping Prainha, um lugar bem espaçoso com chalés e área de camping. Montamos acampamento em uma área coberta e o único ponto ruim que vi foram os banheiros, que não estavam limpos, nem tinham papel higiênico. No mais, é um ótimo espaço, muito bem localizado, com restaurante e café da manhã (somente em fins de semana e feriados), wifi, proibiram música recentemente (bom para quem quer sossego) e, honrando o nome da pousada, uma deliciosa prainha na beira do Rio Benevente. O espaço é aberto ao público, mas cobram uma entrada, se não me engano, de R$ 5,00 caso não esteja hospedado. Vale o custo!

Perguntando para a recepcionista, ela nos informou que há duas trilhas possíveis para se chegar no Túnel Encantado e na Estação Ferroviária. Fomos então por uma e voltamos pela outra, claro!

A primeira sai da própria Prainha, passando por uma ponte e subindo na mata. O caminho está mostrado no mapa anterior, em amarelo. A trilha na mata é curta (250 m), mas com o piso bem inclinado e escorregadio no final (indicamos o uso de tênis), e uns 15 minutos depois, você chega no trilho do trem, com a estação à esquerda e o túnel à direita.

Seguimos para a esquerda para a estação, 500 m adiante. Também é possível ir para lá de carro, seguindo a placa na entrada de Matilde. A estação está muito bem conservada, com um pequeno museu contando a história da região e dos imigrantes italianos que por lá chegaram, uma lojinha, uma posto dos Correios, uma sala para apresentações audiovisual (não vi programação do que se passa lá, é interessante perguntar) e uma lanchonete com deliciosos capuccinos gelados com chocolate, nutella, bombom, huuummm… Muito útil para nos refrescar do calor! Hoje em dia, pelo trilho passam trens de carga que vão de Cariacica até Cachoeiro de Itapemirim, conforme informado por um funcionário da estação.

Partimos então em direção ao Túnel Encantado, seguindo pelos trilhos por 1,5 Km. A descida para o túnel é meio escondida, com uma placa bem mais ou menos indicando a descida por um caminho de terra à direita. Logo abaixo, o rio com alguns pequenos pontos de banho e a entrada para o túnel. E olha, que maravilha! Já entrou para meu Top 5 de Atrações do ES a se Visitar Antes de Morrer! São 65 degraus (contados por nós, apesar de eu encontrar outros números Internet afora), altos e com água correndo sobre eles. O ambiente é escuro e o piso beeem irregular, com alguns buracos e pedras desniveladas, nos forçando a sempre testar antes de pisar com força e a nos apoiarmos nas paredes. Ou seja, aventura pura! =) A água correndo molha o pé todo, então a sugestão é ir descalço e com uma lanterna na mão (vale a do celular). Deu para ir com mochila sem molhá-la. Vi muitas crianças indo também, inclusive um pai carregando uma pequena no colo e guiando outra maiorzinha – vai da habilidade de cada um. Chegando no final do túnel, uma lagoinha rasa para relaxar e curtir a natureza. Depois de descansar, é voltar tudo novamente!

Para voltar até a nossa pousada, optamos pela outra trilha, mostrada no mapa deste post em vermelho, com 2,5 Km de extensão até a prainha. Logo após voltar ao trilho do trem, na direção da estação, há uma passagem de terra à esquerda. A trilha começa como um pequeno pasto e logo em seguida torna-se uma estrada rural. Quase chegando na estrada principal de Matilde, fizemos uma parada estratégica para ir comendo jabuticaba pelos pés carregados que encontrávamos no caminho! O caminho passa pelo Hotel Pousada Beneventes e ao lado do campo de futebol do E. C. Matilde.

Inclusive, essa trilha é o melhor jeito de conhecer o Túnel Encantado de carro, parando bem perto.

Voltando, curtimos um pouco mais a prainha e o Rio Benevente. À noite, fomos na Pousada Kabanas Haus tomar uma cerveja artesanal que eles fazem no local. Provei a de mel e é muito boa! A pousada inclusive tem vários serviços de aventura.

Resumo do Dia 1:

  • Cachoeira Engenheiro Reeve (Cachoeira de Matilde).
  • Prainha.
  • Estação Ferroviária.
  • Túnel Encantado.
  • Cerveja na Pousada Kabanas Haus.

Dia 2

Como fomos em um dia útil, ficamos sem o café da manhã da pousada, então fizemos o desjejum com um piquenique na prainha mesmo, com frutas e sanduíches que levamos! Programação bem casalzinho. =)

Desfizemos o acampamento, botamos tudo no carro e partimos. Demos uma parada na estação de trem para tirarmos mais fotos no trilho e da região.

Em seguida, paramos para comer e comprar chocolates na Tia Helida, pouco depois da entrada da Cachoeira de Matilde. Contudo, ela estava viajando, e como quem não quer nada perguntamos para o pessoal que estava cuidando do local se não tinha um rio ou uma cachoeira atrás da casa. E tem simplesmente uma cachoeira muuuito boa lá (que não souberam informar o nome, então vou chamar de Cachoeira da Tia Helida). Um ótimo lugar para mergulho e para ficar embaixo da queda d’água. Só nos alertaram que os donos não gostam que as pessoas fiquem por lá, geralmente permitindo a entrada somente para consumidores de seus chocolates. Acho justo a troca, mas como não estavam por lá… Ficamos devendo.

Logo abaixo dessa cachoeira, mais uma grata surpresa. Passando por uma trilha na lateral da estrada, chega-se ao topo da Cachoeira de Matilde! Sim, de onde o pessoal faz rapel, bem no início da queda d’àgua. O risco é muito grande, dada a altura da cachoeira, então muito cuidado caso queiram chegar perto da beira. E com muito cuidado, e para desespero da Ágnes, eu fui lá na beiradinha olhar para baixo! =D

Conversando com o pessoal que estava na Tia Helida, eles nos indicaram a Cachoeira do “Pinão” (que só chegando mais perto fomos entender que estavam se referindo à cachoeira da Pousada Águas de Pinon). Voltamos para Matilde, mas passamos direto pela estrada e fomos seguindo as placas para a tal pousada (a região é bem sinalizada). No caminho, vimos indicações também para a Cachoeira Darós, por um caminho diferente da pousada, que descobrimos depois ser a mesma cachoeira, só que sendo possível chegar por caminhos bem distintos. Na pousada, há a indicação de cobrança de R$ 15,00 para entrada na cachoeira (que não nos cobraram, talvez por termos ido em um dia útil), mas seguindo as placas da Cachoeira Darós, é garantida a entrada gratuita.

A cachoeira é bem bonita. Há um grande lago para banhos e uma prainha para se deitar, além de um bar.

A Pousada Águas de Pinon também é muito bonita! A arquitetura dos seus prédios é bem legal e convidativa para fotos, contando com uma piscina coberta e aquecida e nos fundos com uma área de banho no rio, sauna e uma pequena usina hidroelétrica.

Saímos de lá e fomos rumo à Cachoeira Vovó Lúcia. Voltando para Alfredo Chaves, logo após passar pela entrada da Cachoeira de Matilde, entramos em uma estrada de terra à direita e seguimos por uns 6 Km até chegar na entrada para a cachoeira. O Sr. Gerson (genro da Vovó Lúcia) nos recebeu muito bem, nos dando muita atenção e nos apresentando o local. São duas quedas, sendo que na primeira há um bar, uma bica e um grande lago onde cai a água, sendo daquelas cachoeiras que podemos nos deitar na pedra para recebermos massagem da água caindo nos nossos ombros. Mais abaixo, a segunda queda, uma área com uma vista bem bonita e também com local para banho. Inclusive, o Sr. Gerson montou lá um espaço para camping, com tomada e banheiros, por R$ 15 o fim de semana.

Resumo do Dia 2:

  • Estação Ferroviária (só para mais fotos).
  • Cachoeira da Tia Helida.
  • Pousada Águas de Pinon.
  • Cachoeira Darós.
  • Cachoeira Vovó Lúcia

Mais informações

Acabamos não contratando nenhuma atividade de aventura, mas fica para uma próxima volta. Afinal, Alfredo Chaves tem vocação para isso, contando com aluguel de quadriciclos, pistas de voo livre e diversas opções de rapel. Vejam mais nessa reportagem da Folha Vitória.

Muitas outras informações podem ser vistas na página da prefeitura do município, com fotos de três rotas turísticas, a listagem dos principais atrativos e uma cartilha apresentando a região.