Patrimônio da Penha e suas maravilhosas cachoeiras

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Patrimônio da Penha é um pequeno distrito do município de Divino de São Lourenço e fica aos pés da Serra do Caparaó, no Sudoeste do Espírito Santo.

E o que ele tem de pequeno, tem de grande na beleza de sua natureza! O local, isolado do graponde movimento urbano, possui diversas cachoeiras e poços de águas transparentes, além de proporcionar uma paz e ser um refúgio para quem busca tranquilidade.

Poço na Cachoeira Beija-Flor, em Patrimônio da Penha
Poço na Cachoeira Beija-Flor, em Patrimônio da Penha

Na Penha, como os locais chamam o distrito, as grandes atrações são as Cachoeiras de Patrimônio da Penha, o Portal do Céu e a Casa de Vidro, e vamos falar sobre todas elas ao longo deste texto.

Preparamos um guia completo para conhecer essas diversas atrações, detalhando como chegar até elas e apresentando diversas fotos que irão te encantar!

Caso queira acessar diretamente algum assunto específico, clique nos links abaixo para acessá-lo:

Quer saber onde se hospedar? Damos várias dicas indicando pousadas, campings e até como achar casas para alugar.

No final, deixamos muitas outras informações para você aproveitar bastante a região do Caparaó, área que abrange uns cinco municípios no Espírito Santo mais outros cinco em Minas Gerais.

Poço Caldeirão das Maravilhas, em Patrimônio da Penha
Poço Caldeirão das Maravilhas, em Patrimônio da Penha

Agora, inspire fundo, expire… inspire, expire… encontre seu estado zen e mergulhe com a gente em um passeio encantador por esse cantinho do Espírito Santo.

Como chegar em Patrimônio da Penha

Existem algumas maneiras de chegar em Patrimônio da Penha vindo de Vitória, com caminhos pela BR-262 e pela BR-101, mas vou focar somente na que o Google Maps indica, justamente o trajeto que fizemos para voltar da Penha e que é totalmente asfaltado – apesar de ter muuuitos buracos na estrada.

Antes, uma sugestão de um guia que é apaixonado pela região e que irá te levar em ótimos passeios pelo Caparaó: Patrick Martins, da Bicho Grilo Expedições. O Patrick pode sair da Grande Vitória com você e te guiar por lá, indicando áreas de campings e hospedagem, cachoeiras escondidas e restaurantes. Ligue para ele, bata um papo sem compromisso e veja como ele pode te ajudar: (27) 9-9810-2527.

A distância a ser percorrida desde a Rodoviária de Vitória é de 235 Km, indo pela BR-262, o que dá umas 4 h de viagem, a depender do trânsito de caminhões lentos que você irá encontrar pelo caminho – a nossa volta levou 5 h, com parada de meia hora para tomarmos um café.

Rio de águas tranquilas nas Cachoeiras de Patrimônio da Penha
Rio de águas tranquilas nas Cachoeiras de Patrimônio da Penha

O caminho é bem direto. Após uns 170 Km pela BR-262, seguindo para Minas Gerais, você irá virar à esquerda em direção a Iúna – tem uma placa na BR indicando esse município. Então é só seguir o caminho, que passará também por dentro da sede de Ibitirama, até chegar em um trevinho em Santa Marta, uns 55 Km após sair da BR-262.

Em Santa Marta, pegue a esquerda e em 11 Km você estará em Patrimônio da Penha.

Fácil, não?

Só tenha muita atenção nos trechos após Ibitirama, pois aparecem grandes crateras no asfalto da estrada, daquelas de estragar a viagem se você passar por cima – pelo menos a situação era essa em janeiro de 2017.

Quer mapa? Temos mapa. Que inclusive vem acompanhado dos principais pontos turísticos que iremos citar ao longo do texto, para você se localizar melhor durante a nossa apresentação.

No nosso caso, chegamos em Patrimônio da Penha por volta das 16:15 de um sábado de janeiro, vindos de Hidrolândia, em Iúna, do outro lado da Serra do Caparaó. A distância de Hidrolândia até a Penha é de uns 60 Km, que percorremos em 1:45 h, devido às condições das estradas vicinais.

O trecho feito envolve sair de Hidrolândia e chegar na BR-262, andar uns 7 Km e virar à direita na placa que indica a Cachoeira do Chiador, percorrendo a partir daí uns 20 Km de estrada de terra com muitos buracos, depois um trecho de asfalto bom e o trecho final de asfalto bem ruim.

Na estrada de Hidrolândia para Patrimônio da Penha, a vista para a Serra do Caparaó é constante
Na estrada de Hidrolândia para Patrimônio da Penha, a vista para a Serra do Caparaó é constante

A parte do asfalto ruim foi devido às muuuuitas crateras que havia na pista, quase causando um acidente entre nós ao avistarmos o primeiro buraco. Em compensação, a vista à direita era constantemente para o Caparaó, formando várias lindas paisagens pelo caminho.

Onde se hospedar em Patrimônio da Penha

A zona urbana do distrito não tem nem 1 Km, mas, ainda assim, só nessa pequena área, você já encontra algumas opções de hospedagem.

A primeira são os campings, e aqui eu destaco dois: o Cachoeira da Vó Tuti, que fica a poucos metros da rua principal e tem a sua própria cachoeira no quintal, além de um espaço para esportes de aventura; e o Sítio Raiz da Mata, que fica dentro da montanha onde estão as Cachoeiras da Penha – eles também possuem chalé para reserva.

Camping da Cachoeira Vó Tuti, em Patrimônio da Penha
Camping da Cachoeira Vó Tuti, em Patrimônio da Penha

Alugar casas também é uma opção que muitos escolhem. Aqui a variedade é grande, então eu sugiro que você vá até ao grupo Patrimônio da Penha – ES no Facebook e procure ou pergunte por lá quem tem casa para alugar. Vão surgir diversas opções! Essa aqui e essa outra comunidade no Facebook sobre Patrimônio da Penha também contêm informações importantes sobre opções de hospedagem.

E há também, é claro, várias pousadas. A Pousada Beija Flor é de propriedade do mesmo casal que cuida do Centro de Vivências Jardim do Beija-Flor, no Portal do Céu, e tem comida vegana para os hóspedes. Já a Pousada Vilela fica na entrada de Patrimônio da Penha, em um lugar bem isolado, e conta com piscina e lago.

Mas o nosso destaque vai para a CasaZen Pousada, local onde ficamos e fomos recepcionados muito bem pela Tetê Chaves, a proprietária. A pousada conta com apenas quatro quartos para duas pessoas em cada um, e, como éramos em quatro casais, ocupamos a pousada inteira, o que fez nos sentirmos bem à vontade, como se tivéssemos alugado uma casa só pra gente.

CasaZen Pousada, em Patrimônio da Penha
CasaZen Pousada, em Patrimônio da Penha

E esse nome… Casa e Zen… será a modinha de usar o termo “zen” em qualquer coisa? Nada disso! Tetê é budista e já morou em um templo tibetano, então ela faz da pousada um espaço que oferece momentos de paz e de inspiração durante a estadia de seus hóspedes, de um modo que abraça qualquer tradição religiosa, espiritual ou até mesmo ateísta. A localização da pousada em uma área verde, fora do centro da vila, permite esses momentos.

Compondo a filosofia do local, a CasaZen Pousada possui objetos do budismo tibetano, como quatro dos oito símbolos auspiciosos (o nó infinito, os peixes dourados, a flor de lótus e o para-sol), mantra de porta, bandeiras de oração e kata.

A CasaZen Pousada tem nos quartos e nas demais dependências objetos com simbologias do budismo tibetano
A CasaZen Pousada tem nos quartos e nas demais dependências objetos com simbologias do budismo tibetano

Ela nos explicou que os símbolos auspiciosos são os símbolos mais populares no budismo tibetano, usados em grandes eventos e desenhados com giz no chão para receber os mestres. Eles lembram as qualidades do Buda que também estão presentes em nós. No alto da porta de entrada da pousada está um mantra que, segundo os sutras, tem o poder de purificar o carma negativo de quem passa por baixo dele. As bandeiras de oração têm mantras impressos e erguidas ao vento levam bençãos para todo o espaço. Já o kata é um lenço de oferenda feito de seda, usado para oferecer ao mestre, que depois retribui a oferta colocando-o de volta no pescoço do oferente. Todos estes itens foram abençoados em cerimônias budistas realizadas no Brasil.

Quarto de casal na CasaZen Pousada
Quarto de casal na CasaZen Pousada

Nossa, dá até para fazer um tour dentro da pousada! 😀 Que tal pedir que ela conduza você nesse passeio?

Se você não quer entrar nesse aspecto religioso, ela se disponibiliza a ensinar técnicas de meditação para os hóspedes – e que tal praticá-las depois lá nas cachoeiras?

Falando um pouco mais sobre a estrutura da pousada, ela tem estacionamento e um amplo jardim, com redes e esteiras de palha para sentar e curtir a mata logo atrás. À noite, diversos vaga-lumes iluminavam o gramado em uma formação lindíssima – pena que não deu para registrar esse momento. E dormir de janela aberta, com o fresquinho da noite? Não tem preço…

Quintal da CasaZen Pousada, em Patrimônio da Penha
Quintal da CasaZen Pousada, em Patrimônio da Penha

No térreo da casa, uma varanda com esteira para deitarmos, uma área externa para tomar o café da manhã, uma cozinha, um quarto e os dois banheiros da pousada, um feminino e outro masculino – sim, não tem banheiro nos quartos, somente esses coletivos, seguindo a ideia da simplicidade. Ah, também há um espaço, embaixo da escada, para você deixar seu calçado quando for para um dos três quartos que formam o andar de cima, já que não pode subir calçado – gostei dessa regra!

E, por fim, a Tetê também é condutora de ecoturismo durante a semana. Se ela não estiver disponível para acompanhar, pode ao menos te auxiliar na preparação do roteiro do seu passeio pela região. É muito serviço embutido em uma só diária! 🙂

Redes no quintal da CasaZen Pousada, em Patrimônio da Penha
Redes no quintal da CasaZen Pousada, em Patrimônio da Penha

As formas de contato com cada lugar, para pegar valores, tirar dúvidas e buscar pela localização exata estão nos links para o Facebook que colocamos em cada empreendimento, geralmente na página Sobre. E para os campings e pousadas, existem outras opções no próprio distrito e nos arredores. Lembrando que você pode procurar ou pedir ajuda no grupo Patrimônio da Penha – ES e nessa aqui e nessa outra comunidade do Facebook, que alguém te indicará outras alternativas.

As cachoeiras de Patrimônio da Penha

Patrimônio da Penha possui uma fantástica sequência de cachoeiras que iremos apresentar para você agora. No alto dessas cachoeiras está uma “praça” com um balanço pendurado em uma enorme árvore, a Casa de Vidro e o Portal do Céu, mas não conseguimos visitar esses dois últimos locais, e você vai entender o porquê mais adiante.

O percurso para passar pelas Cachoeiras da Penha é por uma estrada de terra, com o rio passando sempre do lado esquerdo e com as cachoeiras acessíveis basicamente por trilhas, e a distância de caminhada para chegar até a praça do balanço, seguindo sem nenhum desvio desde a guarita da entrada das cachoeiras, é de 1,3 Km – na descida, percorremos esse trecho em 25 minutos de caminhada direta.

Poço na cachoeira Arco-Íris, uma das Cachoeiras da Penha
Poço na cachoeira Arco-Íris, uma das Cachoeiras da Penha

Tendo chegado na pousada CasaZen no sábado, por volta das 16:15 h, tínhamos pouco tempo para aproveitar a luz do dia, mas mesmo assim conseguimos fazer bom uso dela: a Tetê nos indicou irmos até a Cachoeira Vó Tuti, a última das Cachoeiras da Penha – ou primeira, depende da referência -, e assim fizemos.

E, no dia seguinte, fomos conhecer as demais quedas d’água e seus poços, saindo de lá às 13:30 h para visitar outras áreas do Caparaó. Como tínhamos um horário limite para ir embora, estávamos atentos ao tempo que ficávamos curtindo cada cachoeira, para conseguirmos ver todas, mesmo querendo passar um dia inteiro em cada uma delas.

Acompanhe então o nosso relato a seguir e fique apaixonado também por esse lugar incrível que é a Penha!

Cachoeira Vó Tuti

Saímos da CasaZen já no final da tarde e fomos caminhando mesmo, tendo o primeiro contato com a parte urbana de Patrimônio da Penha. Em uns 600 m, após passarmos pela entrada do campo de futebol à esquerda, viramos à direita na placa que indicava o caminho para a Cachoeira Vó Tuti e percorremos mais uns 300 m até a propriedade, que possui bar, restaurante, área de camping e espaço para atividades radicais, como escalada e tirolesa. Ah, claro, tem também uma cachoeira no quintal. 🙂

Placa na rua principal indicando o caminho para a Cachoeira Vó Tuti
Placa na rua principal indicando o caminho para a Cachoeira Vó Tuti

Há um aviso de cobrança de entrada, um valor simbólico – se não me engano, era R$ 2 -, mas ninguém veio até nós cobrar.

Fomos em direção à mata e encontramos uma bifurcação: para a esquerda, a Cachoeira Vó Tuti; para a direita, um caminho alternativo que leva às demais cachoeiras de Patrimônio da Penha – não fomos por esse caminho no dia seguinte, mas fica a indicação dessa opção.

Cachoeira Vó Tuti, em Patrimônio da Penha
Cachoeira Vó Tuti, em Patrimônio da Penha

Seguimos para a Vó Tuti e logo avistamos a queda d’água, que é relativamente alta. O poço era pequeno, mas já dava ideia das belezas que iríamos encontrar rio acima: águas transparentes! Mesmo sendo mais de 17 h, deu para tomar banho tranquilo nesse primeiro contato com as cachoeiras da região.

Cachoeira Beija-Flor

Tomamos café no dia seguinte e a Tetê sentou com a gente para nos passar as instruções a fim de conhecermos as demais cachoeiras de Patrimônio da Penha.

Saímos então às 8:30 h de carro mesmo – poderia ser a pé, mas foi mais cômodo assim – e, em 400 m, viramos à direita na placa que indicava “Acesso às Cachoeiras do Patrimônio da Penha”, na esquina da Assembleia de Deus.

Placa indicando o caminho para as Cachoeiras de Patrimônio da Penha
Placa indicando o caminho para as Cachoeiras de Patrimônio da Penha

Em 250 m, chegamos na guarita de acesso às cachoeiras. Se você estiver hospedado em algum camping morro acima, é permitida a passagem de carro. Caso contrário, você deve estacionar em um lote ao lado, com cobrança de R$ 5 para carros e R$ 2 para motos, valores da época – ponto para ir a pé.

Na guarita, eles cobram algum valor que a sua consciência mandar, que será revertido para manutenção, infraestrutura e limpeza das cachoeiras.

Guarita no início da estrada para as Cachoeiras de Patrimônio da Penha
Guarita no início da estrada para as Cachoeiras de Patrimônio da Penha

Finalmente, começamos a subir a estrada às 9 h e em 3 minutos já avistamos a placa da primeira cachoeira, a Beija-Flor. Pegamos a trilha e rapidinho já estávamos no poço.

Na verdade, não havia só um poço, mas uma sequência de vários, com direito a banheira de hidromassagem natural! E foi assim nas demais cachoeiras também, onde sempre havia mais de um poço e mais de uma queda d’água em cada local que parávamos.

Sequência deliciosa de quedas d’ãgua e poços na Cachoeira Beija-Flor, em Patrimônio da Penha
Sequência deliciosa de quedas d’ãgua e poços na Cachoeira Beija-Flor, em Patrimônio da Penha

Logo mais abaixo estava a queda da Cachoeira da Vó Tuti, e vimos várias pessoas chegando à Beija-Flor vindo pela trilha dessa cachoeira, como falamos na seção anterior.

Poço para banho na Cachoeira Beija-Flor, uma das Cachoeiras da Penha
Poço para banho na Cachoeira Beija-Flor, uma das Cachoeiras da Penha

Após curtirmos bastante o local, partimos para a próxima.

Cachoeira Caldeirão das Maravilhas

Essa aqui é uma cachoeira escondida, pois não há placa na estrada indicando a existência dela. Saindo da Beija-Flor, caminhe só por uns 200 m e à esquerda haverá uma casa abandonada. Siga pela lateral esquerda da casa e você verá uma trilha com descida – o caminho é esse. A trilha aqui já é mais rústica e inclinada, precisando em alguns pontos de um apoio nos galhos.

Descida para a Cachoeira Caldeirão das Maravilhas, em Patrimônio da Penha
Descida para a Cachoeira Caldeirão das Maravilhas, em Patrimônio da Penha

Fomos pela estrada mesmo, mas poderíamos ter ido pelas pedras. Umas meninas nos falaram que vieram da Beija-Flor caminhando rio acima e foi bem tranquilo – o que eu sempre recomendo fazer, desde que haja segurança e você esteja acompanhado.

E quando avistamos a cachoeira… que maravilha! Ela tem um poço bem profundo, com águas transparentes, claro. Só a queda d’água que, ao menos quando fomos, estava pouca para ficar embaixo dela.

Cachoeira Caldeirão das Maravilhas, uma das Cachoeiras da Penha
Cachoeira Caldeirão das Maravilhas, uma das Cachoeiras da Penha

Subindo as pedras pela lateral direita, avista-se um outro poço formando uma bela visão junto com a queda d’água ao fundo e uma pedra entalada no meio da fenda.

No alto da cachoeira, outra paisagem maravilhosa
No alto da cachoeira, outra paisagem maravilhosa

E dali mesmo, do alto da cachoeira, temos a grande atração desse local: os saltos das pedras! Como o poço é bem fundo (uns 3 a 4 m de profundidade), dava para saltarmos do alto da cachoeira com tranquilidade. Para aumentar ainda mais a emoção, dá para escalar o paredão no lado direito da cachoeira apoiando-se nas raízes de uma árvore e pular de um ponto mais alto ainda!

Claro, sempre tenha certeza que você conhece e está vendo o fundo do poço e as pedras ao redor, para não se acidentar feio.

Saltos no Caldeirão das Maravilhas, em Patrimônio da Penha
Saltos no Caldeirão das Maravilhas, em Patrimônio da Penha

Levantamos acampamento e voltamos à estrada, para a próxima das Cachoeiras da Penha.

Cachoeira Arco-Íris

Bem pertinho da Caldeirão das Maravilhas está a Cachoeira Arco-Íris, voltando para a estrada e pegando novamente uma trilha à esquerda mais adiante.

Ela tem uns três poços com pequenas quedas d’água e outra queda d’água bem maior mais acima nas pedras. Para ir nessa outra queda d’água, volte para a trilha e logo vire à esquerda. Essa cachoeira mais acima no rio tem um poço maior e melhor para banho.

Poço no alto da Cachoeira Arco-Íris, uma das Cachoeiras da Penha
Poço no alto da Cachoeira Arco-Íris, uma das Cachoeiras da Penha

Mas as demais… são uma lindeza! Dá para deitar e relaxar bastante, inclusive dentro d’água, por serem rasinhas.

Pequenas quedas d’água na Cachoeira Arco-Íris, em Patrimônio da Penha
Pequenas quedas d’água na Cachoeira Arco-Íris, em Patrimônio da Penha

E então, um dos visuais mais bonitos que avistamos nas Cachoeiras da Penha: o último poço, somado com a queda abrupta da água, dá aquela sensação de piscina de borda infinita. Olha só!

Janela do Céu? Não, isso é Patrimônio da Penha!
Janela do Céu? Não, isso é Patrimônio da Penha!

Na hora a gente associou à visão que se tem da Janela do Céu, em Ibitipoca (MG). Claro, sem aquela imensidão de pasto ao fundo, mas com uma bela mata formando o horizonte. <3

“Piscina” com borda infinita na Cachoeira Arco-Íris, em Patrimônio da Penha
“Piscina” com borda infinita na Cachoeira Arco-Íris, em Patrimônio da Penha

Após algumas sessões de foto onde todo mundo queria ter a sua, seguimos o nosso caminho.

Cachoeira da Purificação

De volta à estrada, continuamos o caminho e logo nos deparamos com uma bifurcação: para a esquerda, mais alguns poços; para a direita, uma ladeirinha com trilha bem estreita que é o caminho para o balanço, o Portal do Céu e a Casa de Vidro.

Seguimos para a esquerda. Na verdade, estávamos meio perdidos nesse momento, pois achávamos que a Casa de Vidro era por ali, o que não tem nada a ver. Logo à frente, a pista de carros termina no rio, onde poderíamos atravessá-lo ou pegar um caminho pela direita – a Cachoeira da Purificação é por essa direita.

Mas antes fomos em direção ao rio e paramos um pouco para apreciar a vista maravilhosa do alto de uma queda d’água, que era a cachoeira mais acima da Arco-Íris.

Vista do alto da Cachoeira Arco-Iris, uma das Cachoeiras da Penha
Vista do alto da Cachoeira Arco-Iris, uma das Cachoeiras da Penha

Na outra margem, há um portão e uma placa indicando “Propriedade particular” – que é o camping Sítio Raiz da Mata. Pode voltar para o ponto final dos carros e pegar a trilha que se inicia logo ali, para a Cachoeira da Purificação – caso contrário, no terreno, vire à direita e passe por uma pontezinha bem rudimentar. Saindo dessa ponte, pegue a esquerda.

Ponte próxima à Cachoeira da Purificação, em Patrimônio da Penha
Ponte próxima à Cachoeira da Purificação, em Patrimônio da Penha

Começa então a trilha mais fechada que fizemos, com lamas escorregadias no chão e que leva até a (praticamente) última das Cachoeiras da Penha, chegando na Cachoeira da Purificação em uns três minutinhos.

Trilha fechada para a Cachoeira da Purificação, em Patrimônio da Penha
Trilha fechada para a Cachoeira da Purificação, em Patrimônio da Penha

O “praticamente” é porque essa é a última onde recomendamos tomar banho. Dali para cima, até tem outras, mas o banho é proibido, e você já irá entender o porquê.

A Cachoeira da Purificação tem um poço delicioso na parte de baixo e outro na parte de cima, que vale um ótimo banho se você estiver sem pressa. Como já era meio-dia, só apreciamos a vista do local e voltamos para finalizarmos o passeio.

Cachoeira da Purificação, em Patrimônio da Penha
Cachoeira da Purificação, em Patrimônio da Penha

Pegamos novamente a trilha fechada, passamos pelo ponto final dos carros e caminhamos pela estrada para logo seguirmos pela outra bifurcação, rumo ao Portal do Céu.

Balanço, Casa de Vidro e Portal do Céu

O caminho que leva ao Portal do Céu é bem fácil de identificar, que é essa subida pela direita da imagem abaixo, passando por uma trilha apertada – e também porque tem uma placa escrita “Trilha Portal do Céu”. 🙂

Nessa bifurcação, pegue a direita e suba para o Portal do Céu
Nessa bifurcação, pegue a direita e suba para o Portal do Céu

A trilha é estreita, mas não é de mata fechada, e em cinco minutos chega-se novamente no rio. Temos que atravessá-lo por uma pontezinha feita de com dois troncos de árvore, com risco de queda, então vá com cuidado (atualização: parece que a prefeitura fez uma ponte mais moderna em 2017, deixando a travessia mais segura).

Pequena ponte de tronco cruzando o rio para o Portal do Céu
Pequena ponte de tronco cruzando o rio para o Portal do Céu

O interessante neste ponto é que da ponte para cima é onde ocorre a captação de água para o distrito de Patrimônio da Penha. Assim, fica proibido tomar banho a partir dali, para não haver risco de contaminação da água pura que eles recebem. Inclusive, se você ouviu falar também do Poço do Curumim, ele fica mais acima, ou seja, dentro da área proibida de banho. Então, nada de entrar nele, nem em nenhum outro poço que se encontre rio acima, combinado?

A partir da ponte, não é permitido tomar banho, pois a água que abastece Patrimônio da Penha é capturada ali
A partir da ponte, não é permitido tomar banho, pois a água que abastece Patrimônio da Penha é capturada ali

Voltando à descrição, após a pontezinha, é preciso utilizar uma corda que está pendurada no pequeno barranco para continuar até as demais atrações. Subimos esse barranco com o apoio da corda e finalizamos a trilha caminhando por uns dois minutos.

Subida para o Portal do Céu segurando-se na corda
Subida para o Portal do Céu segurando-se na corda

Finalmente, chegamos em uma área descampada, com um eucalipto bem grande onde está pendurado o famoso balanço.

Essa área é a recepção do Portal do Céu. Além do balanço, há ali também algumas pessoas vendendo produtos veganos e artes ou artesanatos no estilo hippie.

E foi lá que descobrimos que não poderíamos conhecer nem a Casa de Vidro, nem o Portal do Céu!

Balanço, no alto das Cachoeiras da Penha e na entrada para o Portal do Céu e a Casa de Vidro
Balanço, no alto das Cachoeiras da Penha e na entrada para o Portal do Céu e a Casa de Vidro

A Casa de Vidro fica seguindo um caminho à esquerda, mas ela não estava aberta para visitação, fechada por tempo indeterminado (pelo menos em janeiro de 2017). Os proprietários preferiram não permitir visitações para evitar incomodar o atual morador da casa. E realmente, complicado viver em uma casa em que constantemente tem pessoas querendo entrar e conhecê-la – e você não podendo ter uma “vida normal”. Mas, como disse uma pessoa que estava vendendo produtos veganos, “Por que querem ver a casa? As cachoeiras são mais bonitas”. 🙂

Produtos veganos sendo vendidos na área do balanço
Produtos veganos sendo vendidos na área do balanço

Ah, mas tinha o Portal do Céu! Que também não tínhamos acesso… Ok, vamos esclarecer um pouco o que é esse espaço. Marcelo e Valéria são proprietários da Pousada Beija-Flor. O Marcelo chegou em Patrimônio da Penha muitos anos atrás e comprou diversos terrenos, inclusive os do Portal do Céu. Ele então os vendeu e aparentemente tentou-se criar uma comunidade alternativa, o que acabou não vingando. Hoje, conforme informações de um papel pendurado lá mesmo na área do balanço, os terrenos têm 23 proprietários e há áreas exclusivas para os moradores, o que nos dá a entender que é um espaço mais reservado para eles, apesar de não ser um condomínio fechado – e optamos por respeitar essa privacidade.

O que tem em comum entre os moradores é que todos têm relação com a Religião da Floresta, responsável pela Doutrina do Santo Daime. Em períodos específicos, os praticantes da doutrina tomam uma bebida batizada de Daime, um chá da planta ayahuasca, que é alucinógena e tem um significado importante para os praticantes da doutrina, por deixá-los em um “estado de interiorização”. No local também há a Igreja Céu do Espírito Santo (ou, mais precisamente, Centro Eclético de Iluminação Universal Céu do Espírito Santo), para os praticantes da religião.

A área do balanço, na entrada para o Portal do Céu e a Casa de Vidro
A área do balanço, na entrada para o Portal do Céu e a Casa de Vidro

Por fim, o Portal do Céu têm também o Jardim do Beija Flor, um espaço onde ocorrem eventos, esses sim abertos ao público em geral. Danças circulares sagradas, rodas de tambor, auto-massagem, grupos de plantios, yoga, práticas terapêuticas, arte e alimentação crudivegana são algumas das práticas que ocorrem nesses eventos. Para saber quando será o próximo, acompanhe a página da Pousada Beija Flor no Facebook.

Às 13 h iniciamos a descida de 1,3 Km até a guarita, voltamos para CasaZen Pousada, pegamos nossas coisas e mais orientações com a Tetê, e partimos da Penha para conhecer outras atrações nos arredores.

O que mais tem para fazer em Patrimônio da Penha e nas redondezas?

Para finalizar as atrações da Penha, vamos deixar duas atrações para curtir à noite: o Bar Destino e o Armazém, todos ali pertinho, na rua principal.

O Bar Destino (que não tem nenhuma relação com o Destinões :P) tem um cardápio variado, que flerta mais com as comidinhas de boteco, mas também é restaurante e cafeteria. Já o Armazém é uma pizzaria, e em alguns finais de semana ou em datas específicas, como feriados, rola alguma banda – na noite que estivemos por lá tinha um forró pé-de-serra. Em todos dá para tomar uma gelada, aquela pinga e outras bebidas para esquentar a noite.

Aviso no Bar Destino – larguem o celular conversem entre si!
Aviso no Bar Destino – larguem o celular conversem entre si!

E nos arredores? Dá para aproveitar a viagem para curtir outras atrações? Claro que dá!

Nós nos despedimos da Penha e fomos para o município de Ibitirama, almoçar no Restaurante Vale dos Muriquis, e indicamos fortemente que você também almoce lá, mesmo saindo tarde das cachoeiras. São R$ 23 por pessoa para comer à vontade, com direito a porco na lata e outras comidas saborosíssimas – e fica aqui o compromisso de fazer um post exclusivo sobre o Vale dos Muriquis. Ele fica aberto até o começo da noite e tem doce de leite com chuchu e doce de leite de cabra de cortesia – delícias!

Comida da roça no Restaurante Vale dos Muriquis, em Ibitirama
Comida da roça no Restaurante Vale dos Muriquis, em Ibitirama

Ah, pode ir de roupa de banho porque a cachoeira do terreno é muito boa também.

Ainda em Ibitirama, a região de Pedra Roxa também possui várias cachoeiras fantásticas! Vale a pena procurar pelas atrações naturais dessa área. Para ter um gostinho, deixamos para você uma imagem do Poço das Águas Verdes – um dia nós falaremos sobre ele.

Poço das Águas Verdes, em Pedra Roxa, Ibitirama
Poço das Águas Verdes, em Pedra Roxa, Ibitirama

Seguindo para o outro lado de Patrimônio da Penha, em 27 Km temos o distrito de Pedra Menina, no município de Dores do Rio Preto, a porta de entrada para o Parque do Caparaó pelo lado capixaba. Que tal subir até o Pico da Bandeira, o ponto mais alto do Sudeste e o terceiro mais alto do Brasil, pelo Espírito Santo? E mesmo se você não quiser subir, próximo à recepção do parque há muitas cachoeiras e poços. Confira no site do parque nacional as atrações e se programe para ir.

E, como dissemos no começo, antes de chegar a Patrimônio da Penha, passamos a manhã em Hidrolândia, uma atração fantástica de Iúna. Veja o nosso post explicando tudo sobre esse local.

Os poços de Hidrolândia são de águas transparentes
Os poços de Hidrolândia são de águas transparentes

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Em resumo, talvez a sua praia seja mais as cachoeiras e apreciar a natureza, talvez você esteja mais a fim de curtir a cultura e a filosofia do Portal do Céu, ou só queira um lugar de paz e silêncio, um momento de meditação com a cultura budista, ou quem sabe tudo isso de uma vez.

Patrimônio da Penha te oferece todas esses mimos, com a vantagem de ser aqui no Espírito Santo, na região do Caparaó, onde existem muuuuitas outras atrações ao redor para conhecer e depois voltar de novo para conhecer mais.

  • Otávio Massashi

    O café da manhã da Casa Zen também é sensacional! Iogurte natural produzido por ela mesma, frutas frescas, granola e café orgânico da região!

    A Cachoeira Beija-Flor era ótima pra ficar sentado nas quedas d’água relaxando. E saltar das pedras da Cachoeira Caldeirão das Maravilhas foi sensacional! Muito divertido!

    Era cachoeira atrás de cachoeira! Esperamos voltar em outra oportunidade pra curtir com mais tempo cada atração!

    Parabéns pelo post! Ficou ótimo!

  • Deivson Santana

    Muito legal o Post, João! Estou bem a fim de conhecer a região, só não tive oportunidade ainda. Com esse calor, se refrescar nessas águas é tudo de bom.

  • Marcelo Ribeiro

    Faz tempo que estive em Patrimônio da Penha, estou precisando voltar.

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  • Cinthia Costa

    Conheço lá e a descrição feita está muito boa! Parabéns pelo ótimo trabalho.

  • Arlindo Picoli

    Muito boa a descrição, agora vcs precisam voltar para conhecer as atrações um pouco afastadas da vila, como a Cachoeira da Pedra Escorada e os Jardins Suspensos.

    • Obrigado Arlindo! Queremos muito voltar, sim! Procuraremos essas atrações, queremos conhecer Pedra Menina, as cachoeiras e poços do Parque Nacional do Caparaó pelo lado do ES… Assim que der, daremos um pulo aí!

  • Leandro Ricetto

    Boa noite, João! Fiquei inspirado com suas postagens do Caparaó capixaba e gostaria de saber: qual a melhor época para ir? Eu não dirijo; é possível o acesso a Patrimônio da Penha com ônibus via Vitória e fazer os passeios que você e sua namorada fizeram nas cachoeiras mais distantes?
    Desde já, muito obrigado e parabéns pelo maravilhoso blog de vocês, estruturando minha primeira viagem ao ES (devo fazer num feriado próximo, a princípio para conhecer a capital, Vila Velha e Domingos Martins/Pedra Azul).
    Abraços!
    Leandro

    • Olá Leandro! Muito obrigado pelo elogio!

      Olha, a época de frio (no Inverno mesmo, e também no Outono e na Primavera) é muito boa porque o clima da região fica excelente, dá para se acalentar com os cafés de qualidade do local, aquele climazinho delicioso da montanha, e a água vai estar fria de qualquer jeito, no verão ou no inverno. hehe

      Em junho e julho é a época mais recomendada para você subir até o topo do Caparaó: o Pico da Bandeira. Pois nessa época é período de estiagem.

      Nós fomos no verão, em janeiro, e foi ótimo, pois conseguimos aproveitar bem as cachoeiras, já que era período de chuva (não pegamos chuva, mas elas estavam cheias).

      Ou seja, pode ir o ano inteiro. 😉 No verão você curte melhor as cachoeiras, e nos outros períodos você pode curtir o friozinho e as paisagens.

      Para as cachoeiras mais distantes (sem ser essa sequência que eu cito no post), “não dá” para ir a pé, nem tem transporte público, tem que ser de carro mesmo. Procure se informar na pousada que você escolher se dá para combinar com alguém do local para te levar.

      A minha recomendação é que você ligue para o Patrick (Patrick Martins, da Bicho Grilo Expedições), que eu indico no texto, e converse com ele! Ele arruma o transporte e te guia pela região. Pode ter certeza que você terá uma experiência totalmente diferente indo com alguém que conhece bastante do local! E ainda pode descolar com ele outros passeios pela Grande Vitória (se gosta de trilha, veja nosso texto sobre o monte Mestre Álvaro).

      E respondendo diretamente à sua pergunta, entre no grupo do Facebook “Patrimônio da Penha – Guia Turístico” e vá na ágina “Sobre”. Lá explica como chegar a Patrimônio da Penha de ônibus.

      De Vitória, você irá para Guaçuí (viação Águia Branca), e de Guaçuí para Patrimônio da Penha você pega a viação Minastur. Veja mais detalhes de valores e horários na página que eu falei e ligando para as próprias empresas.

      E tem também a opção de ir de carona! Acesse a página no Facebook “Conexão VITÓRIA-CAPARAÓ Transporte Solidário” e peça uma carona por lá. 😉